Dos galhos do cajueiro até águas do Tocantins

Eles se amontoam entre os galhos. Não sei o que de fato estão pensando, tampouco quem são, mas quero construir algumas reflexões a respeito desse momento tão único que comtemplei da minha janela há alguns meses atrás.

Eu acordei cedo, e como de costume, abri a porta da cozinha para olhar as nuvens matinais. O vento bateu no meu rosto. As folhas do cajueiro caíram e, sob o efeito da gravidade, se aconchegaram no chão .

Ali, entre os muitos galhos e folhas, vi um grupo de pássaros. Nossa! Corri apressadamente até o meu quarto onde fui buscar a câmera fotográfica. Quando retornei a porta da cozinha, os pássaros ainda estavam lá, e por isso tirei várias fotos. Fiquei muito feliz ao ver que eles pareciam bem confortáveis com a minha presença.

Naquela manhã, aprendi sobre a importância de ter não apenas seres viventes ao nosso redor, mas amigos com os quais podemos contar. Amigos que ajudam a galgar montanhas que parecem intransponíveis; sim, falo daqueles mesmos amigos que nos elevam quando cairmos.

Tal como os pássaros, eu admiro os amigos que respeitam os momentos de silêncio e entendem que a presença deles já significa muito para mim. Gente que sabe como eu me sinto sem muito perguntar; gente que consegue ver além dos sorrisos e piadas que se sobrepõem após um dia estressante.

Rio Tocantins — Palmas-TO. Foto: Fàbio Silva

Para finalizar, quero falar sobre o Rio Tocantins. Ele é majestoso “por natureza”. Uma fita azul de água que corta o cerrado seco do meio do Brasil. Um sobrevivente do período de estiagem que castiga duramente esse cantinho do país. O rio Tocantins tal como um jovem, possuía águas muito agitadas por ser um rio de planaltos infinitos. Ele carrega tudo o que estava em seu caminho devido sua pressa de chegar até o mar.

Bem, a vida deu alguns desafios para o rio Tocantins. A ação humana forçou o gigante do centro-norte acalmar seu temperamento dentro dos vários barramentos.

Tal como o rio Tocantins, a vida nos oferece muitos desafios que nos ajudam a compreender que precisamos desacelar os passos e contemplar um pouco mais o caminho percorrido. É uma pena que o rio Tocantins tenha tantos desafios para vencer antes de abraçar o Atlântico, mas independentemente das barreiras artificias que ele tem, o rio ainda continua buscando seu objetivo maior.

O rio Tocantins cumpre com o seu propósito de encontrar com a água salgada e por fim também fazer parte dela.

Que eu aprenda com o rio Tocantins que há milhares de anos já escolheu ser obediente não somente ao declive da região, mas também aceitou o desafio de continuar sua jornada até o fim.

Que eu deseje também não apenas aprender sobre Aquele que ensinou sobre o sal da terra, mas que eu viva o sábio conselho de ser o sal até nos últimos segundos da mortalidade.

Rio Tocantins , 2015 — Foto: Fábio Silva

Por Fábio da Costa Silva — Um estudante de Engenharia Ambiental sedento por traduzir em palavras as experiências de contemplar e ser uma criação divina.

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