Conheça Barda e suas paisagens sonoras patagônicas em 8 bits

Cecilia Gebhard, AKA Barda, é uma das principais artistas da nova cena de música eletrônica sul-americana e toca na Sonido dia 13 de Junho

Residente em Buenos Aires e produtora de música eletrônica há apenas três anos, Barda não fala português, apesar de gostar muito de Caetano Veloso. Juntando comigo, que não falo espanhol, a entrevista teve que ser em inglês — o que explica um pouco sobre nossa cultura, ensimesmada no português em meio a um continente hispânico. E assim em inglês mesmo, Cecilia foi me contando o porquê do codinome Barda.

Eu passei minha infância na província de Neuquen, na Patagônia. E sempre convivi com essa paisagem desértica, rodeadas por pequenas montanhas, que chamamos de “bardas”. E essa paisagem é o que eu exploro para a minha música, é o meu “soundscape”.
Bardas brancas nas planícies da província de Neuquen, Argentina

A transformação de Cecilia em Barda demorou para acontecer, mas sempre esteve lá. Saca só.

Eu estudei e me formei em violão na Universidade de Quilmes (subúrbio de Buenos Aires), e desde essa época eu convivi com o Pedro Canale (aka Chancha Via Circuito) e sabia dessa sonoridade que ele estava explorando. Mas eu ainda tava numa onda de indie-rock, então não me envolvi com essa cena. Tudo mudou quando eu fui pela primeira vez no club Zizek (hoje o selo ZZK Records). Foi ali que eu gostei mesmo de música eletrônica pela primeira vez, me senti conectada com aquele som novo. Além do Pedro (Chancha), tinha o El Remolón e muitos outros bons DJs e produtores.

E foi no meio desse caldeirão que a Cecilia foi nutrindo a ideia da Barda. Mas o nascimento aconteceu somente alguns anos depois, quando o Chancha voltou de uma tour na gringa e fez um workshop com alguns “amiguinhos” de Buenos Aires. Gente fraquinha, do calibre do franco-equatoriano Nicola Cruz, de Nicolás Bruschi, aka SidiRum(nossos próximos entrevistados!) e do também argentino Barrio Lindo.

Ou seja: o line-up inteiro da Sonido Trópico: Ano I esteve junto há alguns anos atrás em um workshop despretensioso com amigos do Chancha. Coincidência ? Não, não, não…

Capa do EP Cortina de Montañas, primeiro lançamento da Barda. E lá estão as montanhas patagônicas da criança Cecilia

Desde então, Barda não parou mais de produzir (boa!) música. O seu primeiro EP, “Cortina de Montanãs”, foi lançado de casa em maio de 2013, e já mostra uma nova leitura da cumbia digital, dessa vez numa paisagem minimalista, povoada de sintetizadores esfumaçados e drum machines a lá 808.

Seu segundo EP foi uma parceria com o amigo Agústin Rivaldo, aka Barrio Lindo. Aqui, a dupla explora caminhos ainda mais estranhos. As músicas poderiam ser taxadas de cumbia-sideral ou algo nessa linha. Sente a viagem aqui no link “barrio lindo / barda EP”.

Esse é o meu preferido. Anda por lugares misteriosos. Cumbias ardidas, momentos sinfônicos, melodias fantasmagóricas. Viagens cósmicas em 8bits!

Mas as sete tracks do Arena EP foram imaginadas por Cecilia para um espetáculo de teatro em Buenos Aires, chamado Devenir, da Companhia Lapendú. E o chileno Sello Regional, que já devia estar de olho na artista portenha, propôs que ela fizesse um álbum de média duração com base na trilha. E saiu essa coisa linda aí que você já deve estar ouvindo. Foi lançado oficialmente em junho de 2014. Você pode comprar o álbum no bandcamp.

Sobre a cena latino-americana, Barda é bem otimista!

Estamos muito felizes de ver vocês tocando a Sonido Tropico pra frente, é realmente um sinal de que algo está acontecendo. Eu sou realmente muito nova na música eletronica, eu não sei exatamente o que está acontecendo. Mas tem sempre mais. Produtores, DJs (..) Não sei para que lado isso vai. O que é bom, mostra que a música eletrônica está abrindo novos caminhos. Estamos muito felizes de fazer parte disso.

Quer ver a Barda tocar ao vivo ? É só chegar junto na festa de aniversário da Sonido Trópico, próxima dia 13 de junho.

Enquanto isso, vai curtindo nosso line-up na página da Sonido Trópico no Soundcloud.

Por Francisco Loureiro

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