balneário de nós

era chegada uma rajada forte e gelada
certamente não habitava os arredores sujos da cidade
se aproximava abraçando o rosto, cortando os lábios em sorriso
o vento vinha de outras bandas, 
mas parecia, sobretudo,
que vinha de dentro

e os olhos se fechavam 
dando boas vindas à forasteira ventania

o caminhar moribundo dos soldados do batente
tampouco conseguia afastar os olhares atentos
pelo contrário:
estes se abriam cuidadosamente para esbarrar no outro
conseguia perceber o vento levar
e trazer momentos
enquanto o foco chegava cada vez mais próximo
de mim, de ti

a divisão era arbitrária. 
fazia sentido nos conceituar como formas diferentes?
até fazia, mas parecia criar um novo ser
eu
tu
e eu e tu
tu e eu!

junto com a cor do fim da tarde
(aquela mesmo que, geralmente, tinha o gosto remanescente de melancolia)
alunos voltando do colégio
o balançar das árvores em contato com o céu
as estrelas fraquinhas em contraste às fortes lâmpadas
as brisas estrangeiras, sorrateiras e sorridentes,
com contato de pupilas sedentas por mais de nós
era suficiente pra perceber

era exatamente aqui que eu deveria estar

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