dórica menor

o nono badalo ressoa pelos cantos
minha voz se perde nos próprios passos
me pego falando em uma língua que não ouvi

desconheço as direções
agora, sombras de algo distante
tento lembrar vagamente suas feições
o aroma ainda vaga no pensamento

não o sinto 
nenhum pensamento é formalizado
supressão de informações arredias 
cavalgam sobre um eu mal concebido

gerado nas concepções mais sórdidas
ele se sustenta na inércia sólida do corpo
que se dilui a cada vez 
deixando meus olhos tão absortos

milhares de estímulos cutucam o resto putrefato, fedido
decompoem as moscas junto a carne
elas perderam as asas
e afundaram no sangue ainda fresco

cada som retine
gota
sino
televisão

grito
vento
batida do que restou

pálpebras arregaladas
ritmo descompassado 
melodia acabada e ainda não comecei

fiquei parado na primeira nota