em tudo
Angela Guimarães Soares
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Ovelhas Perdidas

Um único grito não poderá ser ouvido

Nem um único tiro

Mas as marcas de um genocídio coletivo

Nunca poderão ser apagadas

É preciso atentar-se ao grito das ruas

Ao cantarolar dos pássaros sedentos por liberdade

Ora presos, ora performando leviandade

Que não obstantes seguem a cantar

Na esperança que alguém possa escutar

“Ei, aqui és meu lugar

E daqui ninguém sairá”

Eles verão os pássaros se transformando em mamutes rinocerontes

Que não deixam de resistir e, apesar dos percalços

Movem montes

Que caminhemos descalços pelo oceano

Ano-a-ano

Até percebermos que a liberdade não se compra

Nem é fruto das leis que privilegiam os lobos famintos pelo povo

Porém, das ovelhas e assim vos louvo

Tais ovelhas

Muitas delas negras, precárias e esquecidas

Conhecem seu caminho árduo

E o que vos espera em seu encalço

Levantem, ovelhas!

Mas não se contentem com pouco

Tenham em vista o caminho verdadeiro que as espera

Tenham consigo a resiliência de mamutes

A ousadia dos pássaros

A sapiência dos símios

E a vontade de liberdade das ovelhas!

Não deixe os lobos aproveitarem a cada dia sua carne

E não esqueçam quem vocês são

Ovelhas

Irmãos

escritomuitorápido

adoreiotextotchau

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