A vida sem raízes

Desde pequena morei fora da minha cidade natal, sai de lá com 1 ano e desde então estive em 6 cidades diferentes no Brasil e fora. Muitas pessoas entram em pânico de pensar em sair assim, se mudando o tempo todo como um nômade, mas depois a gente se acostuma a viver sem raízes plantadas numa casa, sem sotaque fortemente típico de um lugar, manias e gírias, jeitinho e comidas.

A gente vai crescendo e pensar em viver o resto da vida implantado na mesma vizinhança começa a dar até cala frios, sentimos vontade o tempo todo de se mudar novamente depois de quatro anos morando no mesmo quarto, ficamos até sonhando com a próxima vez que terá oportunidade novamente de colocar as poucas mudas de roupa em uma mala e os livros dentro da outra e sair novamente para sentir o ar da vida local de outra cidade. Para muitos é difícil aceitar sair assim, conheço alguns que pensam “não suporto aquele sotaque”, “e aquela comida? eca”, “além de tudo essas pessoas tem um mal gosto terrível para música”, mas opiniões a parte, para mim é incrível conviver com toda a diferença cultural, aprender a curtir o que cada local me ofereça de melhor, aprender como me comportar como um típico carioca, gaúcho, paulista ou milanesa, passar a me identificar e levar comigo tudo aquilo que pude extrair de suas cidades. Cada foto, cada pessoa, comida e local.

É que com o tempo vivendo sem me acomodar no mesmo canto, eu me acostumei, acostumei a conhecer um local por três dias, uma semana, seis meses ou 3 anos, mas aprendi suas manias, estive nos seus lugares favoritos. Fiz piquenique e comemorei o dia da independência como um nativo local, apesar de não ser, quis ver e sentir tudo o que tive o direito de me dar. Minha casa se tornou minhas memórias, aquela música que sempre escutei arrumando o quarto, a camisa favorita para usar em casa, as fotos de onde já estive e aquele filme que sempre repeti no fim de domingo.

A nossa casa vira as companhias que nos querem bem e mesmo não sendo nossos pais sabem agir como tais, a comida caseira que sempre terá o mesmo gosto e a manteiga derretida no pão francês. Para mais uma vez guardar os poucos objetos e levar consigo uma vida de viajante de passagem por todo o mundo.

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