CONGONHAS

Tem sempre um avião passando no céu triste de São Paulo. Mas, ao contrário do céu, e das nuvens que acompanham esse céu, os aviões não são tristes. Nem felizes. Eles apenas existem. Quase como os pássaros que passam na sua janela, só que de aço e de plástico. Eles também são mais ou menos como os humanos, só que emprestam de nós a inteligência que lhes falta. E nos humilham. Nos humilham porque fazem o favor de nos deixar um pouco mais perto do sonho dourado de toda a espécie humana. Quem é que não quer voar? Bom, o avião não quer. Ele nunca quis nada. Mas ele voa, não é?

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