amor.

quando sem tocar sua alma afaguei seus cabelos, beijei sua testa, mordi seus lábios, não, não foi amor.

quando quis saber, com pressa, que tipos de pensamentos sobre mim atravessavam sua mente enigmática. quando tive medo de saber as respostas para minhas perguntas. não, aquilo não foi amor.

tampouco foi amor quando meu ego poético ansiou espasmodicamente pelo seu toque, pelo calor e pela eletricidade das interações entre a sua pele e a minha. quando quis que nosso abraço existisse como um nó cego, atado com o cordão do tesão e da necessidade. era pathos, era o néctar de Dionísio que me embriagava no magnetismo borbulhante, jovem e trapaceiro de Eros. mas não era amor.

Juliana Lossio Art

quando, porém, me dediquei em afastar esses serezinhos alados que habitam a vizinhança espacial ao redor da minha cabeça, senti algo mudar. tais criaturas são pequenos demônios peritos em impor uma visão turva sobre nossos sentidos, manipulando nossos sentimentos, pensamentos, e, consequentemente, nossos atos. ao expulsá-los, levemente envergonhada, uma transmutação vagarosa e radical se iniciou dentro das paredes do meu ser.

e desta alquimia mordaz nasceu o amor. amor foi quando parou de ser sobre mim, quando o desejo por você sacrifiquei.

quando passei a buscar em você seu próprio bem-estar. quando quis, mais do que tudo, que em você morasse paz. quando eu torci para que lágrimas escorressem dos seus olhinhos cansados, lavando sua alma e seu coração letárgico. quando do medo e da insegurança eu quis te proteger, torcendo para que um dia todos ao seu redor te amem como eu amo você.

amor:

quando eu quis soprar vida em você.

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