Vem, Ansiedade

Eu nunca tinha percebido a gravidade disso, mas a ansiedade faz parte de mim desde que eu me entendo por gente. Não tenho conhecimento científico para dizer se isso nasceu comigo ou se vivências foram gatilhos para que ela despertasse e fizesse parte da minha vida, mas minha ansiedade se dá da seguinte maneira:

  • faço mais xixi que normal, tipo 5 vezes em menos de 1 hora;
  • boca seca e muita sede;
  • tenho muito sono, mas não consigo dormir. deito e toda minha vida — ou acontecimento do dia que me deixou chateada — começa a reprisar na minha cabeça e eu tenho as mesmas sensações de desespero, angústia;
  • quando finalmente durmo, tenho sonhos intensos, que demandam mais energia do que eu tenho para dar e acordo mais cansada do que quando fui dormir;
  • durante o sono de sonhos intensos, acordo e volto para o mesmo sonho várias vezes. isso me dá uma certa sensação de desespero no meio da noite;
  • mordo minha boca mais que o comum (inclusive dormindo) e passo dias com ela dolorida porque eu sempre mordo novamente em cima da mesma ferida e ela demora a sarar;
  • como eu durmo mal, meus olhos — que já são naturalmente mais secos — ardem mais que o normal. uso mais colírios nessas épocas;
  • tenho dificuldade de concentração e me pego tentando fazer mil coisas ao mesmo tempo, que obviamente eu não vou dar conta da maneira que eu desejava e acabo frustrada.
  • tendência a me menosprezar, me colocar pra baixo. elogios não são absorvidos e me olhar no espelho é praticamente uma tortura mental porque eu odeio o que vejo.

Bom, a partir da percepção que minha ansiedade não era apenas aquele nervosismo comum de quem não se preparou para uma prova ou aquele frio na barriga durante uma entrevista de emprego, identifiquei que ela é meio fora de controle e que eu precisava tomar minhas próprias rédeas. Se a ansiedade faz parte desse meu momento de vida, eu tenho que dominá-la. Colocar uma coleirinha nela, como se ela fosse um animalzinho descompensado de estimação e você ficasse chamando por ela para administrar a situação. “Vem, Ansiedade!”.

Não precisamos odiar nossa ansiedade, precisamos aprender a controlá-la. Entender que esse processo, apesar de não ser opcional (diferente do que muitos pensam), é dominável.

Quando a gente se abastece emocionalmente, ficamos mais fortes. Quando você estiver se sentindo só, triste, ansioso, angustiado, procure lembrar de coisas que te dão prazer (e que não sejam tóxicas). Ver um filme que você ama, ler um livro, fazer palavra-cruzada, escrever, desenhar, pintar, colagens, ver fotos de viagens que você já fez, lembrar de vitórias que você já conquistou (uma graduação, um emprego, uma doença superada). Tudo isso faz parte de você e da sua história e todas as coisas boas são também parte da sua essência enquanto ser humano. Às vezes a gente se esquece de quem somos. Lembrar de coisas boas que já viveu faz você se lembrar de você.

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