Daqui de cima

18 andares, aproximadamente 40 segundos num elevador ultramoderno e uma vista para o mar. Mar de água com sal, de apartamentos, de carros, de gente, de vidas. Daqui de cima consigo enxergar tudo isso.

Vejo também, como quem não quer nada, o homem que passa na bicicleta de tapioca. Há o pessoal da doceria aqui na esquina e os motoristas irresponsáveis que fazem um retorno proibido a poucos metros de um prédio oficial. Daqui de cima tudo isso é bem evidente.

Meu reflexo aparece quando o relógio aponta 18h. A luz do sol, a falta dela, na verdade, deixa que eu me veja trabalhar pela enorme janela de vidro. Cansaço, postura incorreta e fones maiores que o necessário. Daqui de cima enxergo bem.