Querida ansiedade
Querida ansiedade, você que me faz escrever e reescrever o mesmo parágrafo mais vezes o que posso contar, para no fim, deletá-lo, afinal não está bom o suficiente. Nunca está.
Você que me desespera,assusta, assombra, a cada novidade, a cada mudança na rotina. Você que não me permite descansar a cabeça no travesseiro e simplesmente, apagar. Apagar? Eu nunca apago, querida ansiedade.
Graças a você é difícil ter forças para sair de casa, a simples imagem de realizar o trajeto já acelera o meu coração. Imagino várias vezes os diversos cenários possíveis de situações que muito provavelmente nunca irão acontecer. Mas que, ainda sim, me corroem por dentro.
Queria ansiedade, você domina a minha mente e o meu corpo.
Não me imagino mais em uma vida não taquicárdica e trêmula, uma vida onde eu consiga respirar fundo sem sentir dor, onde não me sinta constantemente enjoada, tensa e irritada. Sem a dor no peito, a dificuldade de concentração e o medo constante, sinto que já não sou mais eu.
Você me possui 24/7 e me atordoa. Você me atordoa.
Tudo o que eu queria, era cinco minutos de silêncio. Apenas cinco minutos para vivenciar a minha própria essência, sem preocupações e medos. Sem desespero, apenas silêncio.
Nunca tive isso, querida ansiedade. Eu poderia tentar, morrer ou viver, dessa forma nada parece importar.
Meu coração é tão acelerado, e dói. Realmente dói. Perdi partes de mim, e da vida, que não posso mais viver. Não existe calma em mim, só uma dor, que sangra desesperada.
