DIÁRIO DE COLETOR

Coletora de recicláveis ensina a separar o lixo corretamente

Mais do que coletores, quem trabalha na coleta seletiva de São Paulo também ensina a separar o lixo corretamente. É o caso de Cristiana de Sousa da Conceição, 33, funcionária da concessionária EcoUrbis.

Cristiana de Sousa da Conceição da EcoUrbis | Foto: Chico Castro

Há oito anos, Cris sai bem cedo de casa, em Santo Amaro, na zona sul, para começar seu turno às 7h. O trabalho vai até o meio-dia. Atualmente, ela percorre as ruas da Vila Mariana, Moema e Santa Cruz, mas já trabalhou em bairros mais afastados da região central, como Cidade Ademar. Antes, foi balconista e auxiliar de limpeza, mas conta que foi como coletora que de fato se encontrou.

Cris vem de uma família de coletores: o pai dela, aposentado há 15 anos, dedicou 25 à coleta de lixo domiciliar. Foi o tio, também coletor, quem soube da contratação de mulheres para a coleta seletiva. “Nunca imaginei que eu pudesse seguir a profissão deles. Para mim foi uma surpresa. Mas, quando entrei, logo gostei. A gente é bastante valorizada e elogiada nas ruas”, conta Cris.

Em casa, o marido e a filha também têm muito orgulho dela, como muitos paulistanos. A coletora diz que fez muitos amigos nas ruas de São Paulo nesses anos todos. “A gente pega amizade mesmo. Os moradores sempre falam comigo. Gosto demais do que eu faço, além de ser importante para a cidade”, afirma.

Segundo a coletora, entre as dúvidas frequentes dos moradores ainda estão dia e horário da coleta seletiva e quais tipos de material podem ser destinados. “As pessoas também perguntam se pneus e móveis vão para a reciclagem. E até vão, mas não na coleta seletiva”, esclarece. Ela conta que, ao longo dos anos, vem acompanhando uma mudança gradativa no comportamento da população. “Hoje, todo mundo já aprendeu um pouco sobre como separar o lixo direitinho, mas ainda há muito para avançar”, diz.

Na memória, Cris coleciona imagens como a de um menino de cinco anos, morador da Vila Mariana, que toda semana, no dia e horário marcado da coleta seletiva, aguarda acompanhado da mãe ou do pai para entregar a ela seu saquinho de materiais recicláveis. “Ele mesmo é quem separa, limpa e pede aos pais para entregar. Até ganhou um caminhão de lixo de brinquedo que o pai pintou de verde para parecer com o nosso”, conta.Nos caminhões da coleta seletiva, um alto-falante toca uma música que convida todos a separarem o lixo corretamente. “Precisa ter mais gente envolvida. Quando as pessoas descobrem a coleta seletiva, participam”, conclui Cris.