O troll da internet.

Como seguir vivendo se todo momento é agora, se todo lugar é aqui, se todo pensamento é compartilhado, por mais insignificante que seja? (…)
Eram apenas figurinhas num banco de dados dedicado a gerar receita com publicidade. Uma horda ávida por tagarelar sem ponderação alguma, emitindo opiniões compulsivas sobre qualquer coisa como se esse desespero servisse para confirmar sua existência. Discussões em que o único objetivo é vencer, sem nenhum espaço para a empatia, nenhum sinal de reconhecimento do outro. Vence quem posta o primeiro comentário ou afeta o descaso mais sarcástico, a ironia mais rasteira, substituindo qualquer vestígio de emoções humanas genuínas. Uma vida inteira reduzida a um jorro de texto que não passaria pelo crivo do filtro de spam mais rudimentar.
Digam a satã que o recado foi entendido, Daniel Pellizzari

Eu não conseguiria demonstrar uma opinião mais ríspida e memorável para a nova geração que mata a rede a cada comentário idiota replicado. A ideia primordial e rudimentar da internet era colaborativa e — talvez, vai saber — um tiquinho socialista. Nas priscas eras da comunicação virtual as pessoas ajudavam umas as outras. Foruns eram maravilhosos. Blogs eram vertentes de bons textos e literatura fora de livros. Não existiam redes sociais: a internet era a rede social.

Não sei se Berners-Lee subestimou a capacidade infinita da burrice humana, no final das contas. Ou se ninguém entendeu o recado como deveria.

É triste ver novas gerações deixando de usar a internet de forma colaborativa e apenas se comportando como audiência estática. Frequentadores improdutivos. Comentadores levianos. Leitores preguiçosos. Bloqueio. Banimento. Raiva e identidade de manada com qualquer sufixo ismo a escolher.

Travis the Troll
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