A programação matou meu mundo mágico.
Aqui o papo é leigo e humilde, but the struggle is real.

Ficar imerso no universo criativo tem aquela coisa de saber o que demanda tempo e esforço, e quando alguém de fora vem e te pede uma coisa trabalhosa como se fosse mágica, a gente tende a ficar um pouco puto, mesmo quando na real ela não teve más intenções nisso, ela só não soube como funciona.
Pensando nisso a gente começa a ter mais empatia nas outras funções, porque na real essa história se repete em todo universo que algum desconhecedor exige trabalho de um profissional na área.
Aí um dia surgiu aquela luz “Como que eu vou sugerir ideias se eu não sei nem como que botar lá na internet?”, e meu mundo meio que caiu, afinal não tem nada mais mesquinho do que trazer algo que você nem sabe botar em prática, e eu tava fazendo isso direto.
Tive muitas oportunidades de aprender a programar, cresci com meu pai trabalhando nessa área — além de sempre andar com o pessoal de informática, me acostumando a acompanhar os trabalhos de colégio deles.

Quando corri atrás pra aprender a programar, fiquei usando o CodeAcademy e um pouquinho de Code.org, não me preocupei com linguagem, só fui, duas horas por semana é o tempo que eu me dedicava pra pelo menos entender uma coisa ou outra, passos-de-bebê.
Aos poucos senti aquela energia densa e cruel em cada step dos sites, mas sem saber se tinha relação com os códigos e linguagens ou se eu tava só num inferno astral.
Fiquei com a dúvida voando na cabeça, uns tempos depois li um artigo no coletivo K-HOLE à respeito de dúvidas comporamentais e o conceito de magia vs. padronização, e lá encontrei algo que fez entender o que me incomodava:
"When you’re a baby, things are constantly appearing out of fucking nowhere and vanishing with no hope of return, until at some point you learn pattern recognition." — K-HOLE #5
*BOOM*
Era isso! Entender o que rolava, ver como podia ser feito, fez eu ficar desanimado e perder todo o tesão de ver um projeto na internet.
Queria voltar a ficar impressionado sem pensar em toda a trabalheira que foi feita e as horas mal dormidas de quem tava envolvido.

Quando eu era criança adorava jogar videogame, mas mais do que isso, gostava muito de explorar ao máximo e acreditava que o universo do jogo era infinito.
Meu pai tinha um jogo de pesca entediante pra caralho no Playstation 1, mas só de pensar que eu podia andar com o personagem e explorar o mapa, me dava uma animação pensando nas possibilidades que eu podia fazer no jogo, pescar não era uma opção pra mim.

Meu primo sabia dessa minha pira e por conta disso inventava coisas do tipo:
"dá pra jogar sem pokemons no Pokemon Blue, mas tem que zerar antes"
"dá pra tirar a nevoa toxica do Spider-man 2 e andar pela cidade"
e gente… COMO. EU. ME. ANIMAVA. COM. ISSO. X___X
Chega uma hora que a gente cresce e começa a ver aqueles padrões da vida, e nisso me dei conta das limitações do jogo, que o personagem tinha uma quantidade X de ações e interações com os objetos, a famosa parede invisível que não deixa o carinha andar, a perda de interesse foi grande.
A previsibilidade me desanimou, e na programação, ao meu ver, ainda existe aquele fator que NÃO QUER que surjam coisas fora do que estava previsto, porquê pode dar merda.
Que delicia seria não entender das limitações, daria um alivio, não teria que ficar repensando sobre uma mesma coisa várias vezes, mas deixar isso de lado seria ignorância.
Nesse dilema de entender ou não, fico louco pensando se um dia vou ver que tudo na vida funciona com códigos e padrões.
Não sei se quero isso.