“Tenho que te falar uma coisa, isso não é uma queimadura”

É engraçado como sempre chegamos a esse mesmo ponto, embora minha realidade tenha mudado eu continuo o mesmo

Com as mesmas virtudes

E também o mesmo vazio

Tão vazio que quando tento calar meus gritos desesperadores, o som ecoa dentro de mim

Mas eu tô bem, leve, tranquilo.

Dei alguns passos a frente em relação a vida, conheci e desconheci pessoas, tô morando sozinho e agora convivo com minhas xícaras de café sem açúcar. Só queria te deixar a par das novidades e talvez isso nem tenha importância.

Mesmo que tua estadia tenha se acabado, tem um cômodo inteiro empoeirado aqui dentro

E tá cheio de coisas tuas

A marca que ficou foi tão grande e profunda quanto essa tua “queimadura” em cima da mão, próximo ao polegar

Mas eu acostumei, da mesma forma que acostumei tomar café sem açúcar.

— Cê escreve?

— Sobre o que?

— Quando tu vai esquecer?

não sei.