

19. Comunicação Social — UFRJ. Eu gosto muito de usar traços e dois-pontos (mas o traço do Medium é meio esquisito, olha: —).
E aqui jaz o problema: pragmaticamente, o texto e o discurso que o cerca são absolutamente ineficazes. Ninguém será convencido da urgência da luta contra o racismo a partir disso. O que Brum fez aqui é o contrário: instrumentalizou uma luta urgente, necessária, violenta (ela cita todas as estatísticas brutais sobre racismo no texto: mulheres negras morrem mais cedo, morrem mais violentamente, sofrem mais no parto, e por aí vai) em prol de uma questão etérea, mal explicada.
O mais impactante nesse trecho é a ideia de que alguns precisam perder para que outros ganhem. A mentalidade de Brum fica explícita aqui: ela é incapaz de visualizar situações onde a soma total (de direitos, de bem-estar) não é zero. É impossível para ela imaginar um mundo no qual todos tenham o direito a se vestirem de maneira livre — ela só pensa em um mundo no qual alguns perdem um pouco para que outros ganhem um pouco. Essa falta de imaginação mística — uma postura vulgarmente religiosa na qual o “karma” de alguns compensa o de outros — permeia todo o texto.
Com uma diferença crucial: o cristianismo, mesmo com toda sua violência, ainda acreditava em perdão. Em Cristo você poderia verdadeiramente expiar os seus pecados e se redimir. A religião de Brum não é tão bondosa: existe apenas o reconhecimento eterno dos pecados e o apontar para si mesmo como sujo e mau, mas a redenção nunca chega. Não é uma fé muito atraente.