Sem Titulo

Gustavo Conti
Nov 1 · 2 min read

1:40 da manhã. Ainda acordado. Eu não sei por qual motivo estou escrevendo, eu não sei se ainda consigo sintetizar tudo o que passa aqui. Não que passe algo, são apenas devaneios que não existem, frutos de uma vólvula de escape da realidade.

Apaguei quase todos meus textos aqui. Faz tempo que não escrevo, mal sei conjurar uma oração de volta ou colocar uma pontuação correta. Queria escrever algum texto sobre direito ou sobre ciência politica igual antes, porque sempre me fez bem, mas não me sinto mais capaz de produzir algo. Fica cada dia mais difícil colocar todos os pensamentos na linha, tudo o que eu ainda não consegui processar, eu ainda não consigo me lidar.

Eu sempre digo pra mim mesmo que um dia vai melhorar, e eu imagino isso em meus devaneios, sendo feliz e satisfeito, conseguindo levantar da cama e falar que eu estou genuinamente feliz, mas eu não estou. Nunca fica mais fácil levantar da cama, e por mais que eu tente levantar, é como se houvesse algo que impedisse. Eu me impeço de ser quem eu quero ser.

É um sentimento horrível sentir essa impotência. É horrível conceber a ideia de que é não possível sair disso. Eu me acostumei com a minha tristeza. E por mais que eu tente convencer a mim mesmo que tudo bem viver com isso, no fundo, eu sei que não.

Queria dizer que sinto falta de mim, o eu do passado, mas quem fui eu? Sempre temos esse saudosismo do passado porque não nos lembramos dele. Sinto falta de mim? Como eu consigo sentir falta de algo que eu nem sei se existiu?

Thamires fala que eu sou uma pessoa rotineira, que se acostuma fácil e que já passou da hora de eu ir tratar minha depressão. E eu sei que eu deveria, mas o que vem depois? O que muda? Eu vou me tornar melhor? E o que seria esse melhor? E se eu vier a me tornar pior? Eu não sei quem eu sou sem “isso”.

Sinceramente eu não sei por qual razão ainda estou escrevendo, não que eu espere que algo disso ou que vá ajudar em algo, mas aqui estou, olhando de volta a tela do notebook e me cobrando.

    Gustavo Conti

    Written by

    conti me mais