O senhor doutor é um parolo
RJ Pinho
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Isso é uma história muita antiga. Eu acho que os títulos advêm da nossa grande taxa de analfabetismo do princípio do século XX (pelo menos), em que ter uma licenciatura era algo de muito especial (só para os filhos de algo) e, como tal, uma forma de ser aceite entre os comparsas, concomitantemente, um forma de se destacar dos demais e com isso ganhar benefícios, proveitos e um “estatuto” que iria influenciar decisivamente a carreira profissional e talvez até política do detentor do título. Tratam-se então de resquícios de uma sociedade que é antiga e ainda aparenta esses sinais de outrora. Com tantas licenciaturas que existem hoje em dia, essa formalidade tem tendência a desaparecer, mas tudo demora o seu tempo e nada acontece de um dia para o outro.

Ah, e mais uma coisa. Eu sou licenciado e ninguém me chama de Dr., pois não exerço a profissão que tirei. Quero dizer com isto que o título também está muito ligado à atividade profissional em si. Existem inclusive patrões sem qualquer licenciatura que são tratados por Sr. Dr. pelo funcionário, por vezes sem que o patrão o exija. Apenas porque os funcionários julgam que sendo o patrão , vestindo fato e sendo bem falante, deve mesmo ser, e assim mostram reverência. O patrão não desfaz o equivoco, pois gosta de ser mimoseado. Alias, onde é que já se viu um empresa de sucesso sem o seu Sr. Dr.’zinho, não é verdade?

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