Militarização

Vou propor uma metáfora:

Imaginemos uma escola bem grande, com muitos alunos, muitos professores, muitos serventes, muitas empresas parceiras, muitos fornecedores etc.
Vamos dizer que a organização dessa escola estivesse permeada de irregularidades e falcatruas em todos os níveis: desvios de verbas cometidos pelos vários gerentes de setor, compras superfaturadas feitas pelo departamento de compras, supervisores subornados, alunos comerciando provas vendidas pelo setor pedagógico etc, etc.

Vamos supor que essas irregularidades começassem a ser denunciadas e perseguidas por diferentes instâncias dentro da própria escola; não porque essas instâncias também não tivessem seus corruptos internos, mas por um complicado e indecifrável jogo de poder, além de que, claro, a pesar de tudo ainda havia muitas pessoas honestas naquele ambiente.

Agora vamos imaginar que dentro da escola começassem a soar vozes que propõem uma solução radical para o que, em sua visão, configura uma degradação inaceitável e que requer soluções estruturais. No entanto, em vez de propor uma investigação profunda e imparcial dos envolvidos nos eventos irregulares, em vez de sugerir a criação de mecanismos de controle e supervisão mais transparentes de todas as ações executadas por qualquer cargo dentro da escola, em vez de propor a pulverização dos poderes decisórios para que todos pudessem ser fiscais de todos, em vez de qualquer uma dessas propostas, essas vozes propusessem apenas que todo o controle da gestão escolar fosse tomado à força pelo único setor sobre o qual, por algum motivo (surdez seletiva, esquecimento conveniente, censura…) não recordavam haver recebido notícia de participação em casos de corrupção: a “Escolsegur”, a empresa contratada para cuidar da segurança patrimonial da escola.

Quando ouço falar de intervenção militar no Estado ou militarização das escolas, imagino isso aí, mais ou menos.

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