Por: Sérgio Junior, Marcus Campos, Lucas Nogas e Marcela Mazetto
Unidade Paraná Seguro não atende expectativa
Os investimentos são altos, e crescem a cada ano desde sua criação, mas a população não sente essa diferença

O governo do Paraná, em parceria com a prefeitura de Curitiba, apresentou em novembro de 2012 os objetivos, orçamentos e equipe responsável pelas ações do Projeto Unidade Paraná Seguro (UPS). Além de ser uma esperança para a melhora na segurança pública, as UPS tinham como um dos principais objetivos integrar a polícia à comunidade com o intuito de estabelecer uma aproximação de amizade e conhecimento entre o povo e os militares.
Porém, segundo a população, a maioria dessas atividades listadas no Plano de Ações não saiu do papel, e o principal objetivo que era trazer mais segurança para os bairros, não é cumprido. “Como fica a maioria do tempo apenas um policial, nós não sabemos se ele pode sair dali em caso de alguma emergência e nem quanto tempo leva para que chegue algum apoio, então acaba sendo um pouco ilusória a imagem de segurança que tem a UPS”, relata Arlei Ângelo da Silva, morador e comerciante da Vila Sabará, próximo à unidade daquela região.

Em visita à UPS da Vila Sabará, a equipe conversou com um policial, que preferiu não se identificar, mas relatou como é a situação na unidade. “Eles não nos autorizam a conversar abertamente, porque com certeza sabem que a gente vai reclamar. Em algumas unidades as placas de indicação das UPS já desbotaram com o tempo, (como podemos observar na Trindade, Caioá e Vila Verde), mas isso ainda nem é o pior: basicamente as UPS são iguais, geralmente um policial sozinho apenas tendo um rádio como apoio, raramente tem mais que um policial na unidade”.
O militar reclamou ainda da degradação dos equipamentos ofertados para a realização do trabalho policial. “Na verdade não só a questão das UPS, mas em geral a segurança publica do Estado do Paraná, passa por um colapso, olha essa viatura ai — referindo-se a viatura parada no local no momento da entrevista-, você acha que esse é um veículo com estado para se trabalhar?!”, completa.

As Unidades Paraná Seguro, funcionam de segunda a sábado, 24 horas por dia. Sempre nessas mesmas condições, algumas, como a unidade piloto do Uberaba e Vila Nossa Senhora da Luz, ainda possuem uma infraestrutura melhor que as demais, conta pelo menos com o apoio de viaturas, e até mesmo de um micro-ônibus. A Tenente Larissa Tonolli, da regional específica do Uberaba, alega que a polícia vem fazendo o possível para manter o programa funcionando com qualidade. “Estamos buscando dar continuidade no que foi implantado no começo do projeto. Ver o que deu certo e continuar fazendo. Além de tentar implantar, cada vez mais, coisas novas para melhorar a vida da população”, explica.
Porém, o que é ofertado para a população ainda é muito precário, principalmente quando comparamos ao montante de verba, destinada a estes trabalhos. Em documento disponibilizado pelo governo observamos uma estimativa de custos de cerca de R$ 810 milhões de reais, a serem gastos de 2012 até o ano de 2014 para realizar todas as ações previstas. Parece muito, mas não é nada comparado ao montante total revertido às UPS desde 2012. Segundo orçamento anual, expedido pela Polícia Militar do Paraná, quase R$ 12 bilhões foram destinados ao projeto nestes 4 anos. Como mostra o gráfico a seguir:

Elefantes brancos, essa foi a expressão que a jovem estudante Thayse Alonso Tré, 21, encontrou para definir estes postos policiais chamados UPS. “É um absurdo pensar que no Brasil, um país tão vulnerável em vários aspectos, carente de saúde, educação, meio de transporte e qualidade de vida em geral, as pessoas deixem o dinheiro público ser descartado de maneira tão irresponsável. Isso tudo me revolta muito, pois sou moradora da Vila Trindade, e sei que muitos acham que a unidade da região fechou, por não verem mais nem a placa de indicação, e outros, nem sabem o que são as UPS, ou se um dia existiu uma na vila, isso já demonstra a enorme diferença que a unidade trás para o bairro, nada”, conclui a estudante indignada.

No Caiuá, o policial Danillo, como é chamado, relatou que ali, naquela região ele se sente seguro em trabalhar sozinho, mas explica que se tivesse que pernoitar na Vila Verde, por exemplo, se sentiria muito desconfortável. O policial ainda aconselhou nossa equipe a não ir a determinados locais específicos, dentre eles a vila citada, pois o risco nessas regiões, mesmo com a instalação das UPS, é grande.
Objetivo
Mais do que uma unidade pacificadora, as UPS tinham como intuito promover a movimentação de uma polícia mais próxima da população, algo que não viesse para punir, mas sim conscientizar as pessoas através de iniciativas culturais, palestras e aulas para afastar aquele jovem carente do contato direto e único com o mundo corrompido pelas drogas e os crimes.
O projeto mantinha uma visão futurista de qualidade, prevendo altos índices de criminalidade no estado e na capital. Embora haja relatos que em alguns desses lugares houve sim uma melhoria às proximidades da instalação, isso não é uma realidade para todos, e aquela polícia de proposta ser amiga da população, se retrai ao militarismo comum de qualquer outra repartição policial.