É tudo menos desinteresse

“Por que você ficou tanto tempo sem falar comigo?”

Porque eu não tava preparada, ok? Porque eu demorei quase um ano inteirinho pra tomar coragem e falar o que eu falei pra você. Porque eu passei um ano olhando pra sua cara sem falar, sem demonstrar, sem…nada. Porque antes de tudo as vezes existe uma confusão mental aqui dentro de mim. E cara, sinceramente…Isso não existe em você? É só em mim?
Antes de falar algumas coisas para você, eu simplesmente tive que digerir isso dentro de mim. Não foi brincadeira de criança. Foi sério! Eu tive que passar por cima da Siouxsie racional, tive que passar por cima dos meus ideais, tive que passar por cima da minha própria mente até entender quando eu fiz coisa errada e quando você fez coisa errada. Eu fiquei muita noite sem dormir, eu chorei muito, eu li muito sobre filosofia e psicologia (eu faço isso quando eu não consigo entender ações ou sentimentos, eu só procuro respostas racionais porque meu coração não me dá as respostas assim, ele precisa de algo mais palpável).
Vamos errar juntos? Vamos, cara. Nós vamos! Mas algumas coisas para mim são um pouco mais sensíveis, tá? Cada um lida com as coisas de uma forma, cê não sabia? E eu sofro para entender a sua forma, porque ela é bem diferente da minha e nesse momento que eu paro e penso que o jogo vira, que a parte do desinteresse é sua e não minha. Que você não quer e eu tô forçando. Mas de todo esse tempo que eu fiquei sem falar com você, não só dessa última vez, mas das outras…. é tudo! Menos desinteresse. Eu juro.

“Mas olha as coisas que você me falou”

Eu sei, eu sei. ME DESCULPA, TÁ? Ah não, você vai vai me desculpar mesmo e isso me machuca mais do que Vayne feedada de build fechada no fim do game. Eu tô aprendendo a tentar respeitar o jeito dos outros e olha… não é uma coisa que eu tiro de letra, tá?
Eu não tô acostumada a ouvir que eu tô errada, tá bom? E eu tento fazer tudo direito justamente pra não ter que passar por isso. E você sabia que eu fico me culpando por isso? Porque eu me esforço para sair tudo direitinho! A maldita mania minha de tentar fazer TUDO com perfeição, de ter o controle de tudo e levar a vidinha do jeito que eu quero. Algumas coisas eu planejo, outras eu confesso que acabo fazendo na loucura porque me dá vontade, mas ao mesmo passo que eu faço, eu fico com medo, sabia?
Essa altura do campeonato você já deveria saber que quando eu pego pra ser durona, eu sou. Não é ruindade. Não é vontade de te deixar mal, é só que eu sou explosiva. Eu tô errada. EU SEI. Eu SEI que eu tenho que medir mais minhas palavras, ok? EU JÁ ENTENDI! Mas entender é uma coisa, mudar da água pro vinho é meio complicado. Eu sei que eu tive quase um ano pra mudar tudo isso, mas você já parou para pensar que eu só consegui me tocar das cagadas que eu faço essa semana? Como eu mudo a essência de uma vida em alguns dias? Me fala. Tem mágica pra isso? Se tiver me ensina que eu pego a varinha aqui e já faço, porque não tá tão fácil, sabia?
Não é simplesmente falar “Olha, eu não tô me importado com isso. Eu tô cagando pra isso. Depois as coisas voltam ao normal e tá tudo bem”. Até porque, sabia que eu sofro por antecedência? É. Eu até que sou boa em fingir que eu não tô me importando tanto com as coisas, que eu tô seguindo a vida e que tá de boas. Eu tenho sempre duas reações…eu sumo do mapa (e ninguém me acha, ninguém mesmo) ou eu me empenho em falar que tá tudo bem. Mas o tanto que a minha mente fica me matando dia a dia é uma coisa que provavelmente só eu vá saber. E sabe…não é que eu não quero compartilhar isso com ninguém, eu só acho que ninguém é obrigado a lidar com os meus demônios, já que eu tô bem grandinha para lidar com os meus conflitos internos. Então, não é rapidão entender a mente das outras pessoas, não é simples, não é fácil, magoa e machuca. É tudo menos desinteresse. Eu juro.

“Mas você já me magoou, é justo”

ME DESCULPA, TÁ? EU NÃO QUERIA MAS EU FIZ. Você sabe mais do que qualquer outro ser humano que o mundo não é justo. Ele não é! E eu fui uma pessoa cuzona que sem perceber ajudou o mundo a ser injusto. E não foi com qualquer pessoa. Foi com você. Logo com você. Você que não era para errar, você que era para fazer tudo certo, você que era pra dar valor, que era pra dar carinho, pra dar amor. Você que era para mimar, pra passar tempo junto, pra dar risada de piada idiota, pra dar risada de texto torto…Enfim, eu não ficar abrindo coração não, eu já tô abrindo demais e eu tenho que me preparar psicologicamente pra isso, porque é difícil mostrar sentimento, é difícil falar que ama, é difícil. Você não é obrigado a aceitar, eu sei que você já passou coisas bem merdas…eu já passei coisas bem merdas, tá? Eu sei como é. Mas você não precisa aceitar, talvez é ter paciência para cada mudança minha aos poucos. É conviver pra ver se a gente merece viver junto (merece é uma palavra muito ingrata, né?). E de novo, eu juro que é tudo! Menos desinteresse.

“Você pede desculpas e faz as mesmas coisas de novo. SEMPRE”

EU NÃO PERCEBO, TÁ BOM? Cê quer que eu fique analisando tudo que eu vou falar pra você e que analise tudo que eu vá fazer com você? Eu não acho legal ter que viver com medo das coisas que eu faço. Eu tenho a delicadeza de um elefante em uma loja de cristais (você sabe disso, eu sou bem desastrada). Então…calma. Mais uma vez, calma. Dentre todas as outras que você já teve, entre todas as vezes que você explodiu e falou um montão de coisas pra mim, assim como eu já falei um monte de coisas pra você. Eu lembro as coisas que você me diz, tá? Só que eu guardo coisa boa, porque eu acho que é isso que vale a pena lembrar e é isso que vale a pena viver. Por isso que é difícil, a gente é diferente nesse ponto. Mas as coisas não acontecem porque eu não to me importando com você ou porque eu tô te enfiando o dedo na cara e falando que você tá errado.
Sabe, eu não sei se você já foi muito julgado. Eu já fui. É ruim. Eu sou ainda, na verdade. Talvez te machuque isso ou só te deixe bravo. Eu sinceramente acho que você sempre tá bravo (já falei que você é a coisa mais linda até bravo? É sim. É sim. Aceita). E de novo, meu amor. É tudo, menos desinteresse.

“Eu não vou falar mais com você”

Chegamos ao ponto crucial desta problemática.
É aqui que bate meu medo, é aqui que bate minha fragilidade como ser humano, é aqui que dá tapa na minha cara, que sangra o coração, que o desespero vem, que o choro vem com força descomunal, que o futuro que eu tanto me mato para viver começa a pesar menos na minha vida. É aqui que entram as músicas tristes, que vem o isolamento da sociedade, que eu não produzo nada, que eu fico um ser humano imprestável, que eu aumento a quantidade de cigarro que eu fumo, que a mente embaralha, que o olho embaça, que a cabeça dói e que tudo que eu já conquistei não é nada. 
É aqui que eu percebo que não importa quantas teorias científicas eu leia, que não importa quantas noites eu fique trabalhando sem dormir, que não importa olhar ao meu redor e perceber tudo que eu conquistei até aqui, que não importa quantas horas eu meditei para melhorar como ser humano…Não importa porque tem uma coisa maior que tudo isso acabando comigo, dando um tapa na minha cara e berrando pra mim “VOCÊ FALHOU DE NOVO. VOCÊ CONSEGUIU. DE NOVO”. É quando eu fico desesperada e sem saída.

Se eu não te imploro mais as coisas ou se eu não fico em cima…é medo. É medo de você desaprovar, é medo de você brigar, é medo de você ser grosso, é medo de você parar de falar comigo de verdade, é medo de te perder, é medo de não te ver nunca mais, é medo de nunca mais sentir o cheiro do seu perfume, é medo de não ter você para falar de trabalho, é medo de não ter você quando eu preciso de conselho, é medo de você sumir pra sempre, é medo de você ir embora daqui, é medo de aparecer na sua porta e você me mandar voltar, é medo de sentar do seu lado e você não sentir nem amor e nem ódio, de você não sentir nada por mim. É medo de você não rir mais das minhas cantadas, não rir mais das minhas piadas, é medo de não ver a careta que você faz quando eu falo algo pra te provocar ou só encher seu saco, é medo de não poder mais apertar sua costela brincando, é medo de não poder te abraçar gostoso nunca mais, é medo de não poder te encher de beijinho, é medo de não poder te apertar pra falar que eu tô com saudades, é medo de mandar mensagem e você me ignorar que nem você fez ontem, é medo de você nunca mais vir aqui em casa e deitar na cama abraçado comigo falando sobre trabalho, é medo de você não se importar mais comigo ou com nós. É medo de você ser mais um e-mail no mailling, é medo de só ter que falar com você quando tem pauta, é medo de ter que te ver só quando tem evento ou campeonato, é medo de ter só contato profissional com você, é medo de não poder falar o quanto eu gosto de você, é medo de não poder mais falar bem de algum texto seu, é medo de não… É medo.
Pode não parecer muito, mas eu tenho coração. Então coloca nessa sua cabeça de cabelo lindo que eu sinto tudo. Eu sinto tudo de verdade. É tudo, menos desinteresse. Eu juro.

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