Filosofar nada mais é que questionar

É incrível que no ano de 2014 ainda refletimos pouco ou nada sobre a rotina de nossos atos.


Na Grécia antiga, quando os primeiros pensadores questionaram o mundo ao redor abdicando-se da religião para explicar fenômenos físicos, algo poderia ter acionado o botãozinho da curiosidade nos homens e transformado para sempre nossa maneira de encarar a mente. Contudo após séculos e séculos continuamos com as mesmas respostas, por quê?

“A superstição deixa o mundo inteiro em chamas, a filosofia as extingue.” Voltaire

O primeiro grande questionamento do homem foi sobre o que chamamos agora de metafísica: “Do que é feito o universo?”

A partir de uma questão aparentemente simples, puxamos o famoso fio da meada.

Tales de Mileto (c. 624 – 546 a. C), o primeiro filósofo grego conhecido após investigar várias questões, chegou à conclusão de que a matéria-prima básica do cosmo era composta de água. Seus estudos abriram as portas para Pitágoras formar suas ideias e comprovações matemáticas.

Do outro lado do mundo, a filosofia oriental despertou de seu profundo destino controlado por divindades e antepassado para o conceito de tao.

“Conhecer os outros é inteligência; conhecer a si mesmo é a verdadeira sabedoria.” Lao-Tsé

Tal pensamento, não é mais um mistério, se bobear até uma criança entende seu significado. E se isso é realmente verdade, por que ainda temos dificuldade em olhar a filosofia como um ato, que apesar de corriqueiro é essencial para a sobrevivência evolutiva?

Sócrates (469- 399 a.C) lá antiguidade já nos alertou que “ A vida Irrefletida não vale a pena ser vivida.”

Ficou pensando que talvez a idade da razão tenha de algum modo prejudicado nossa visão. Pensadores como Francis Bacon e sua abordagem empirista (Sabedoria adquirida por percepções) “Conhecimento é poder”, Thomas Hobbes “O homem é uma máquina”, e John Locke “ Tudo o que sabemos é adquirido a partir da experiência” podem ter favorecido a pausa reflexiva.

Daniel Huntington Philosophy and Christian Art

A esperança então surgiu em 1750 com a era da revolução “O homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado.” Com essa frase Rousseau novamente arrancou as vendas que manipulavam os homens.

Era fato que naquele momento seguíssemos rumo ao questionamento, porém mesmo Burke deixando claro que “A sociedade é de fato, um contrato” e Schopenhauer colocando o dedo na feriada ao dizer que “Todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo”, nada nos abalou.

Continuamos no caminho pragmático sugerido por James “Aja como se o que você faz fizesse diferença”, nem mesmo o pensamento moderno de Nietzsche “O homem é algo a ser superado”, nem abordagem de Santayana “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”, fizeram com que desviássemos da massa…

E mesmo sabendo por Karl Jaspers que “ Somente como indivíduos um homem pode se tornar filósofo” insistimos em permanecer na caverna quando há muito somos capazes de entender tais sombras.

Triste é a conclusão de que escolhemos permanecer de olhos fechados!

“Se escolhermos, podemos viver em um mundo de reconforta ilusão.” Noam Chomsky.