Ai, você tá ficando natureba, hein?

Eu sempre ouvi isso, mesmo quando eu não me achava “natureba”. Sempre me importei com a minha saúde e fiz escolhas em prol dela. Lembro uma vez saindo tarde do trabalho em Niterói. Todos exaustos dentro do carro e eu de carona. Finalmente saímos do túnel Rebouças às 22:00 na Lagoa. Saltei da carona correndo para ir a academia antes que ela fechasse. Qual foi o comentário que ouvi? “Nossa, você vai pra academia a essa hora? É muito natureba mesmo”. Com um sorriso no rosto me despedi e fui, mas depois fiquei pensando naquilo…

O tempo passou e eu continuo me importando com o meu bem estar físico, mas agora me preocupo também com o meu bem estar mental e com o bem estar do nosso planeta. E o que eu continuo ouvindo? Adivinhem! Que estou ficando natureba! Ok, eu sou então: e estou mais feliz. Vou explicar porque:

Comecei uma busca interna no ano de 2016. Foi durante uma fase turbulenta da minha vida. Isso parece sempre se repetir:

Só começamos a pensar na nossa saúde, no real sentido da vida e no equilíbrio da nossa mente quando nos sentimos realmente ameaçados.

Foi aí que decidi dedicar mais tempo para mim mesma. Parei de olhar para fora e para como eu parecia ser para o mundo e comecei a olhar para dentro. Comecei a meditar para tentar encontrar paz interna. O difícil foi começar, mas depois que você percebe os benefícios acaba virando hábito.

A meditação proporciona equilíbrio, que leva a compaixão e como resultado você adquire sabedoria.

Isso faz muito sentido, pois quando você se sente em equilíbrio você trata melhor as pessoas, lida com as coisas de uma forma mais calma, se sente mais plena nos momentos e acaba ganhando sabedoria para a vida. Mas claro que não é fácil chegar lá. É uma busca constante, mas o importante é dar início! Quando você se valoriza faz muito sentido cuidar de si.

Junto desta minha busca interna veio uma viagem transformadora para a Tailândia, Camboja e Laos. Foi no Laos (Luang Prabang) que me deu um clique: é possível ser feliz, ter compaixão, ser grato e fazer o bem - mesmo tendo muito pouco. O simples gesto de juntar as mãos e se curvar para o outro é tão lindo e especial. É uma atitude cheia de significados como agradecimento e respeito ao próximo. Por trás de uma dura realidade os sorrisos e a bondade das pessoas me chamaram muita atenção.

De volta a minha realidade, mas cheia de inspiração eu decidi me aprofundar mais em conhecimentos. Comecei a formação em sustentabilidade no Gaia Education e estou fazendo o curso de alimentação Ayurvédica com a Laura Pires. Como meu trabalho envolve não só moda mas também educação, comecei a questionar: Porque não aprendemos a comer comida de verdade na escola? Porque somos treinados para achar que comidas saudáveis são sem graça? Porque não meditamos desde cedo? Porque não falamos sobre os assuntos que realmente importam? Porque não somos engajados socialmente e ambientalmente? Estas deveriam ser disciplinas do currículo comum de todos os alunos. A escola deveria ensinar para a vida.

Somos treinados para vivermos de uma certa maneira. Se você se destaca da “normalidade” de qualquer forma: seja porque é ruivo, negro, gosta de pessoas do mesmo sexo, é muito alta, gorda ou simplesmente tem hábitos “diferentes” você é altamente criticado. E isso começa na escola.

Somos induzidos a pensar que devemos ter isso ou aquilo para sermos alguém na vida. Até para sermos mais felizes temos que ter o carro X ou o vestido Y. Temos que ser como as mulheres das propagandas: loiras, altas e magras. Se você for assim, já é meio caminho andando! Somos influenciados pela publicidade desde pequenos para nos alimentarmos mal.

Comece se questionando:

Como você se sente com seu estilo de vida? Ele condiz com os seus valores? O que tem consumido ultimamente? Como você come, se veste, o que você passa no seu corpo?

Se cuidar é amor próprio. Não significa que você não vai se permitir de vez em quando comer uma besteira, só não precisamos nos encher de tóxicos, antibióticos e outras coisas mais que estão escondidas por trás das embalagens. Que mal tem se importar com a sua saúde, querer saber de onde vem as coisas que você consome? Nenhum! É muito importante começar a cuidar de si.

Ser mais consciente requer ter mais responsabilidade. Nem todo mundo quer ser mais responsável. Muita gente tem preguiça. Mas ter preguiça com si próprio?!

Comece aos poucos.Vai lá! Me conta como foi!

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    Coisas das Estrelas

    Written by

    By: Chloe Lerina. "Somos a mudança que queremos ver no mundo" Insights sobre moda consciente, upcycling, meio ambiente, pessoas, saúde…@coisasdasestrelas !

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