Nossa vida, nossas escolhas.

Da comida a roupa.

Vivemos em uma sociedade de consumo, disso não há dúvidas. A comida que comemos, o cafezinho que tomamos, os produtos de casa, as roupas que vestimos, tudo envolve dinheiro e posse. Se você não tem, você é levado a crer que não pertence a sociedade. A partir daí surgem mil problemas, como a desigualdade, o preconceito, a injustiça, a ganância, guerras e insegurança.

“Da cultura popular à máquina da propaganda, por toda a parte há uma pressão constante para fazer as pessoas se sentirem desamparadas, e que sua única função possível é ratificar decisões e consumir.” Noam Chomsky

O consumo exagerado tem levado as pessoas a se sentirem doentes, ansiosas, não pertencentes e tristes. Após anos de publicidades e poluições visuais nos passando mensagens enganosas, finalmente está caindo a ficha de que comprar por comprar, para preencher um vazio ou se sentir mais importante, é prejudicial para nós todos.

A verdade é que você pode até se sentir mais bonita ao comprar uma roupa nova, mas daqui a um tempo você vai cansar dela e vai querer outra para substituir, assim a busca assim se torna eterna. refletindo sobre o efeito do consumo em mim mesma, percebi algo que parece clichê, mas não é:

Não preciso de mais coisas para ser mais feliz ou me sentir mais bonita. Isso vem de dentro, não de fora.

Esta fase de consumir por consumir está passando na minha vida. Isso não significa que eu vou deixar de comprar coisas bonitas ou vá esquecer do mundo da moda, que eu tanto amo. Só significa que consumir coisas não é mais um meu foco. Decidi parar de prestar atenção no consumismo que rodeia nossas vidas: nas mídias sociais, nas publicidades, na televisão. Tenho escolhido fazer outros programas que não estão relacionados ao consumo, mas que me deixam feliz, como uma caminhada num parque ou um encontro com pessoas especiais.

Quando eu decidir comprar algo, quero que o produto dialogue com os meus valores.

Buscar viver uma vida mais simples, sem excessos e consumir de forma mais consciente é fundamental, não há outro caminho. O desafio é encontrar o que precisamos, com um preço acessível e que respeite todos os valores que são importantes para nós. Eu tenho tentado comprar direto do empreendedor ou em brechós ou do produtor, de forma local, sem plásticos e orgânicos. É um desafio encontrar tudo em um único momento, ou em um único produto. Mas o importante é começar, é discutir sobre o assunto e questionar os donos dos estabelecimentos comerciais.

É incrível como a indústria da moda e da comida são tão parecidas e estão passando pela mesma transformação, no mesmo momento. As duas dependem muito de recursos naturais e de recursos humanos. As duas também podem virar compulsão — como no Fast Fashion e no Fast Food.

Algumas dicas ao consumir moda ou comida:

  • Compre direto do produtor ou do empreendedor: assim você consegue se informar sobre o processo e o produto que está comprando.
  • Compre local: assim você contribui para a economia da sua cidade e do seu país. Contribui também para aquele pequeno empreendedor, fazendo parte do seu crescimento.
  • Preste atenção na etiqueta de composição das roupas e nos ingredientes das comidas: assim você vai saber o que contém naquele produto.
  • Zero lixo: a busca por produzir menos lixo deve estar sempre na nossa consciência. Nada de plásticos e embalagens desnecessárias.
  • Comércio justo: comprar sabendo que ninguém sofreu ao produzir aquela roupa ou aquele alimento é um peso a menos na sua vida.
  • Quando for feito a mão tem mais valor: alguém dedicou seu tempo e carinho para produzir aquilo que você vai consumir. Dê valor a isso. Você também pode estar contribuindo para a permanência de uma cultura local.
  • Orgânico: sempre que possível compre produtos livres de agrotóxicos e pesticidas. Já somos expostos a muitos tóxicos diariamente, sem termos controle sobre isso. Escolher o que vai entrar ou ficar encostado no seu corpo todos os dias é cuidar e ter carinho com você mesmo.
  • Upcycling ou dar vida útil: prolongar a vida de uma roupa significa tirá-la do lixo. Doe sempre, conserte, troque, empreste. No caso da comida, não desperdice, não jogue fora, reutilize.

Comida é vida, é fundamental. Moda é arte, é expressão máxima.

Moda já era amor, agora comida também virou!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.