A evolução do Crowdfunding para o Investimento Colaborativo

*Por Diego Perez

Estamos vivendo a era da colaboração entre pessoas, da sociedade em rede, em que o acesso à informação e a facilidade de comunicação atribuída pela rápida evolução dos meios tecnológicos, tornou o cidadão comum cada vez mais conectado e inserido nas oportunidades trazidas pelo mundo digital.

Nessa esteira, o modelo empresarial tradicional, preso a uma linha de produção ou a uma loja de rua, deu lugar a portais de internet e aplicativos em dispositivos móveis, fazendo com que os consumidores passassem a comprar produtos ou contratar serviços sem precisar sair de casa, ou onde quer que esteja, tornando os negócios mais ágeis e versáteis.

Essa evolução tecnológica trouxe uma nova cara não só para as atividades empresariais, mas também para como estas passaram a ser criadas e materializadas, especialmente àquelas empresas formadas por pessoas cheias de ideias para um produto ou um serviço inovador, emergindo nas garagens, porões, laboratórios universitários e salas de aula de todo o mundo, porém, sem o apoio de uma grande empresa ou de um financiador que acredite em suas ideias.

Diante deste cenário, surge o crowdfunding, , junção das palavras “crowd”, que designa multidão, e “funding”, financiamento, aqui no Brasil também conhecido como financiamento coletivo.

Pelo crowdfunding, uma plataforma de internet disponibiliza espaço em seu portal para que idealizadores de projetos inovadores ou de alguma forma interessantes, apresentem suas ideias ou demonstrações de um protótipo em funcionamento do produto idealizado, bem como o montante que acredita ser necessário para que esta ideia possa ser transformada em um produto comercializável.

Neste projeto, é apresentado também, o prazo que seu idealizador achar razoável para que a meta de captação seja alcançada, oferecendo para as pessoas que contribuírem para a sua materialização, uma recompensa, a qual poderá variar de um simbólico agradecimento até um exemplar do produto viabilizado com a sua contribuição, isso claro, de acordo com o valor que contribuir na campanha.

As pessoas que tiverem acesso a este projeto e se interessarem pela viabilidade do produto ou serviço ofertado, poderão contribuir com qualquer quantia que achar conveniente para que este tenha uma chance de sair do papel, recebendo como retribuição, caso o valor pleiteado seja alcançado, a recompensa prometida pelo idealizador do projeto, isso claro, correspondente ao valor contribuído no projeto.

Caso o montante solicitado no projeto não seja alcançado no prazo assinalado pelo idealizador, a totalidade do valor contribuído é devolvido para as pessoas que participaram, o que é feito de uma forma automatizada pela própria plataforma que oferece o serviço de crowdfunding, reduzindo de forma considerável qualquer possibilidade de retenção indevida ou tentativa de fraude com a grana alheia.

Com essa métrica simples e eficiente de financiamento, diversos produtos puderam sair do papel, tanto como filmes, jogos de vídeo game, aplicativos para celulares e tablets, assim como empresas inteiras, os quais, muito provavelmente não teriam saído do campo das ideias sem a ajuda da multidão na sua materialização.

A partir deste ponto, o crowdfunding acabou ganhando força em todo o mundo, se popularizou entre aqueles que se interessam por produtos e serviços inovadores e novas tendências, não só pela genialidade do serviço, mas também pela possibilidade de se tornar real, projetos que dificilmente sairiam do papel sem a ajuda deste conjunto de pessoas.

Além disso, os grandes sucessos de financiamento via crowdfundig, aqueles que arrecadaram muito mais do que os idealizadores imaginaram, ou em um prazo bem menor do que o esperado, servem como referência para o alcance que o produto a ser criado pode atingir, além de ajudar na definição das necessidades de um determinado grupo, ou ainda para traçar as tendências de consumo de um futuro próximo.

Isso fez com que os idealizadores de produtos financiados coltivamente se tornassem empresários de suas criações, atraindo também os olhares de investidores, de olho em uma nova forma de rendimento em empresas que já mostraram o potencial de seus produtos ou serviços oferecidos, em razão do sucesso de arrecadação alcançados em seus lançamentos durante a captação via crowdfunding.

Porém esses investidores não estavam interessados exatamente nos produtos financiados por meio do crowdfunding, mas sim nos resultados que a exploração destes poderiam trazer para os seus investimentos, funcionando o crowdfunding, também, como uma ferramenta para a busca de novas empresas para se investir.

A partir deste momento, surge uma evolução do crowdfunding, em que os projetos que buscam captação não objetivam exatamente o desenvolvimento de um novo produto ou um serviço, mas sim a capitalização ou criação de uma nova empresa, assim como as recompensas para quem contribuiu para a captação, que passou de um exemplar do produto financiado para um título, o qual atribui o direito do investidor em participar nos resultados obtidos por esta empresa capitalizada, ou até mesmo para se tornar seu sócio ou acionista.

Surge então o Equity Crowdfunding, modalidade de crowdfunding, por aqui intitulada de “Investimento Coletivo”, onde uma ideia para a formação de uma empresa deixa deixa de ser financiada, passando a ser investida, trazendo uma sofisticação para algo que já funcionava muito bem exatamente pela sua simplicidade, por outro lado, tornando o investimento em empresas inovadores em um procedimento simplificado e acessível para todos, algo que era naturalmente mais complexo e restrito a um grupo pequeno de pessoas.

E a evolução não parou por ai. Existem algumas formas de se implementar o Equity Crowdfunding levando-se em consideração o tipo de empresa que receberá o investimento, o público que investirá nos projetos, bem como os valores sugeridos na captação, podendo variar de acordo com a complexidade e especialidade exigida do investidor, também.

O fato é que, assim como a vida em nosso planeta, o Crowdfunding está em constante evolução, assim como a sua modalidade mais sofisticada, baseada em Equity (participação do investidor nos resultados), o qual já se segmentou em alguma formas distintas, sendo que estes avanços também se assemelham com o processo evolutivo natural, ou seja, sempre haverá uma necessidade de adaptação para uma nova situação, o que vem sendo feito pelos empreendedores do investimento colaborativo com muita naturalidade e criatividade, em diversos locais do mundo.

Com a democratização dos investimentos em empresas inovadoras, todos tem muito a ganhar, não só os empreendedores, ou os investidores do Equity Crowdfunding, mas a sociedade como um todo.