A inovação disruptiva do Equity Crowdfunding

O termo “inovação disruptiva” foi utilizado pela primeira vez pelo Professor Clayton Christensen da Harvard Business School, definindo como um processo no qual um produto ou serviço, com raízes fortemente fincadas em uma determinada camada de um mercado, após um processo de inovação com ganho de eficiência, passa a emergir (ou submergir) a níveis e camadas antes não atingidos pelos players tradicionais, baseado na adoção de processos simples e de fácil assimilação, trazendo como consequência o deslocamento ou incômodo de concorrentes já fortemente pré-estabelecidos.

Com base neste conceito, o Equity Crowdfunding, se apoiando na oportunidade gerada pelas poucas obrigações regulatórias aplicáveis à pequenas operações do mercado financeiro, resolve um problema complexo de maneira muito simples e conectada à internet, solucionando a equação “empresas / investidores” versus “necessidade de capital / oportunidade de investimento” a uma camada ainda não atendido pelo mercado de capitais brasileiro.

Este vácuo regulatório reduz significativamente o custo operacional de uma plataforma de investimento colaborativo, diminuindo o tempo de análise e execução no preparo das ofertas e acelerando a organização dos investimentos, que, aliado a dispensa de agentes intermediários e estrutura operacional robusta, permite manter uma operação à custo acessível ao empreendedor de alto impacto, facilitando o acesso de pequenas e médias empresas inovadoras ao mercado de capitais brasileiro.

O que não dialoga com o modelo tradicional de serviços bancários, que para manter uma operação lucrativa, necessita de estrutura e capital perene para cumprir um arcabouço regulatório maciço na oferta de seus produtos.

Empresas emergentes, que em sua maioria estão estabelecidas na camada chamada de “Bottom of the Market”, se beneficiam de maneira imediata da solução trazida pelo Equity Crowdfunding, já que são comuns os casos deste perfil empresarial que necessitem de um ou dois anos para alcançar o equilíbrio de seu fluxo de caixa, especialmente aquelas de base tecnológica, o que não seria possível sem injeções sequenciais de capital até o alcance do chamado “Break-Even Point”.

Esse padrão poderia ser uma excelente oportunidade para grandes bancos oferecerem crédito, exceto pelo fato de que a taxa de insucesso de empresas em estágio inicial é muito alta, tornando quase impossível de se identificar a capacidade deste tipo empresarial de honrar seus compromissos financeiros no curto/médio prazo, situação conhecida como o “problema da opacidade informacional”, caracterizado pela dificuldade de se prever os retornos e pela necessidade de contínuo monitoramento.

Isso cria um paradoxo. De um lado, pequenas empresas ainda dependem de bancos como seus principais fornecedores de financiamento, quer diretamente, por meio de empréstimos ou indiretamente, através de cartões de crédito pessoais de seus sócios.

Do outro lado, empréstimos a pequenas empresas representam apenas uma pequena fração dos ativos financeiros de um banco, especialmente para aqueles do segmento de varejo.

No investimento colaborativo, empreendedores podem colocar à venda na internet uma pequena participação em seus negócios, na forma de “Equity”, a investidores que acreditam no modelo de negócio proposto e que desejam participar dos ganhos futuros provenientes do sucesso desta empresa, trazendo uma alternativa de “funding” para empresas iniciantes e uma nova forma de diversificação de portfólio para investidores.

O fato é que, no momento em que plataformas de Equity Crowdfunding passarem a atrair o interesse de clientes tradicionais e começar a atingir camadas já atendidas pelos bancos de varejo, será tarde demais para correr atrás do tempo perdido com a nova tendência, passando a existir um risco potencial e real de que deixem os bancos de ser a principal fonte de recursos financeiros a pequenos e médios negócios.

Em razão disso, é importante que instituições financeiras, agentes intermediadores e por que não os bancos comerciais de grande porte, passem a dedicar recursos e tempo para compreender, e potencialmente se beneficiar deste tipo de inovação disruptiva.

Em razão disso, nós da StartMeUp convidamos todos os agentes do mercado financeiro e de capitais brasileiro a conhecer o Equity Crowdfunding, para que possamos em conjunto desenvolver esse novo mercado e consolidar como uma nova modalidade de investimento e alternativa de funding para pequenas e médias empresas.

*Diego Perez é sócio fundador da StartMeUp Crowdfunding e Diretor Vice-Presidente de Associação Brasileira de Equity Crowdfunding — EQUITY