Eu não jogo para valer…

Martin Stranka — “ I found the Silence”

Quanto mais eu tento me afastar dos infortúnios da vida, dessa maldade sem limites que praticam por aí, mais eu me perco… Nós nos tornamos grandes estrategistas para viver uns com os outros e cada um saca do bolso sua arma mais potente. Sei que somos todos jogadores, mas nesse meio sou mais uma observadora, do que qualquer outra coisa. Eu não jogo para valer. Sou daquelas que volta casas, perde a vez e quando acha que ganhou alguma coisa, já não valia mais nada. Quem joga com tudo não enxerga o que eu sei… Não sou a primeira e nem serei a última, mas o que realmente me intriga é como sobreviveram sem enlouquecer… Não tenho boas armas, essa é a verdade. Alguma que solte água, mas só. Dizem que para viver em paz é preciso aceitar as coisas como são, e eu nunca aceitei. Fato. Não consigo lidar! Tentar se adaptar e oferecer o seu melhor num mundo onde o medo prevalece e a mentira corre solta não me parece muito atraente. A verdade é que as pessoas se contentam com pouco. E é justamente com esse pouco que vão para o tabuleiro. Partem cegos justamente pelo mínimo que sabem sobre a vida. E por isso suas metas são apequenadas, porém incisivas: desejam a vitória, o ser bem sucedido. E tudo isso, no jogo da vida, é não enxergar dos lados e muito menos enxergar a si próprio. Sei que existem algumas contradições no que eu disse até agora, mas é justamente isso que acontece dentro de mim. Você já teve medo de sí próprio? Medo de se contaminar com aquilo que você julga ser o pior que existe? Às vezes penso que apenas guardamos o nosso melhor para um momento em que nossas mentes decidam se abrir para tudo e para todos. Até lá, damos voltas, batemos a cabeça, escondemos e matamos o que há de mais belo e essencial: as nossas verdades. E nessa grande competição ilusória eu, ainda, prefiro ser a pessoa que não está nem aí… Ou a que todos vão considerar como: o bobo.