Morte ao corno

Era mais um dia que Roberto estava no trem indo para a casa. Porém não era um dia qualquer, pois surpreendentemente ele foi liberado mais cedo do trabalho e estava ávido para fazer uma surpresa a sua mulher, que o esperava todas as noites com a janta pronta.

Naquela noite as axilas podres dos passageiros não o incomodou, nem a gritaria dos ambulantes desesperados para que as pessoas comprassem suas bugigangas, que possuíam uma validade um tanto quanto duvidosa. Roberto estava feliz demais para se estressar com pouca coisa, em pouco tempo estaria no conforto do seu lar, com sua amada nos braços.

Logo que chegou no portão ele escutou alguns barulhos estranhos, que pareciam… Ó não… Ele não podia acreditar no que estava ouvindo. Eram mesmo as porras de uns gemidos?

Infelizmente não estava enganado, até porque conhecia aquele gemido muito bem. Entrou na casa fazendo o minimo barulho possível e pela fresta da porta viu sua mulher cavalgar como uma égua em cima de seu amante porco.

Roberto perdeu o chão, mal conseguia respirar, foi até a sala de serviços tentar recuperar-se do choque que o acometera. Repentinamente surgiu uma luz em seu cérebro, pois era naquela sala que ele guardava a arma do seu avô que fora militar.

Ele pegou a pistola e a carregou com as mãos trêmulas. Por que existir em um mundo cheio de falsidades e pessoas perversas? Se até o casamento que é a união mais sublime está fadada ao fracasso, o que dirá das outras relações humanas?

Colocou o cano da arma em sua boca e cerrou os olhos apertando-os. Podia escutar ao fundo os gemidos da sua mulher e isso só lhe dava mais raiva. Quanto mais ela falava para o amante ir mais fundo e meter com força, mais ele soterrava o cano em sua boca, com a esperança que a arma chegasse até seu cérebro e estourasse seus miolos, sem ao menos precisar atirar.

Foi então que abriu os olhos e pensou: “Vou matar aquela piranha, ela não vai escapar assim. Nem ela e nem o amante de merda”.

Roberto dirigiu-se até o quarto e bateu a porta com força, assustando ambos e apontando a arma para eles:

— Surpresa!

— Roberto, não é nada disso…

— Cala a boca sua vagabunda!

— Calma cara, nem tudo tem que terminar assim… — disse o amante

— Tem que terminar como seu merda? Você também está com vontade de enfiar o seu pau na minha bunda? — gritava Roberto

— Roberto abaixa sua arma pelo amor de Deus. — sua esposa falava aos prantos

— Não sou tão gostosinha como essa piranha para você comer, certo garanhão?

— Roberto, meu amor… — suplicava sua esposa

— Seu amor? Você está de brincadeira comigo?

Roberto disparou contra o amante e ao ver o sangue jorrar, e sua esposa gritar, começou a rir descontroladamente.

— Você ficou louco Roberto, louco? Que merda que te deu, você matou uma pessoa, droga!

— Antes ser um assassino do que uma vadia como você! Por que me traiu, me diz, por que? O pau dele era melhor que o meu? Ele te fazia gozar de um jeito que eu não fazia?

— Para você é tudo sexo! Eu te odeio tanto, seu lixo! Nunca te amei, você sempre foi um monte de merda e sempre vai ser! Seu pau mole, você nunca me fez gozar como Andy fazia!

— Andy? Você estava me traindo com um cara que tem nome de bicha, sua puta!

Roberto deu mais 3 disparos em direção a sua esposa. Logo depois foi na cama verificar os corpos e sentiu-se aliviado por realmente estarem mortos. Acendeu um cigarro e foi para a varanda, observou o céu estrelado e sorriu.