Engenheira da vida

Ás vezes é só de um canto que preciso. Mergulhar o rosto na barriga do gato e ficar ali — por segundos incontáveis — sem respirar.

Não é possível entender tudo: o que foi, o que se perdeu e o que nunca existiu. Uma equação triste onde o resultado sempre é negativo.

Irresponsabilidade dizer que tudo deu errado, diversos planos foram conquistados e batalhas vencidas. A questão que me arranha, que me queima a carne, que me corroí é não saber porquê as não conquistas soam mais alto e gritam mais fundo.

Todas as fotos felizes foram antecedidas de dias tristes. A tristeza é a estranha que nos acompanha na estrada diariamente. Engenheira da vida.

just let it happen. Deixa doer e sangrar. Sangra, perde o folego, esmurra o travesseiro. Chora, grita, dorme, acorda, maldiz a vida, tenta de novo. be alive
Tem escolha? Tem alguma outra? Tem alguma? Viver, tens isso. É isso que tens.

Conheço o fracasso e também o túnel escuro — interminável — da jornada dos sonhos. Vai caminhando até o fim. Se bater contra o muro, muda a direção. Se cair, levanta; mas se quiser ficar no chão desanimada, fica também. Usa o tempo pra ficar imóvel, respira leve e não gasta as forças. Uma hora vai cansar e aí você levanta e caminha mais um pouco. Até cair; até o muro; até a luz.

A dor tem seu processo e você precisa deixar o processo acontecer. Não dá pra acelerar os dias, tampouco, calar a dor. Faz parte do processo o barulho e a bagunça que ela faz. A engenheira pensou no processo que tem o ponto pra acabar. E quando acabar, vamos sorrir.

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