Um texto para minha véspera dos 30 anos

Hoje é meu ultimo dia na década dos vinte e o Terra tem mais em comum comigo do que eu pensava.

Olho para a tela do computador e me pergunto por onde começar essa análise das primeiras três décadas da minha vida pois tudo o que ando me perguntando, e também as pessoas a minha volta, é: como é estar à beira de completar 30 anos? É magnifico.

Vou falar de dois aspectos importantes que pude concluir até agora.

Primeiro, quero falar sobre o tempo e o que sinto em relação à sua passagem. Em um momento de um episódio da série Cosmos do Netflix o apresentador diz que o tempo da vida humana é tão ridiculamente breve comparado ao tempo cientificamente calculado da existência do universo que nós não somos capazes de entender como a terra é mutável pois já passou por várias eras e passará por outras ainda. Disse também que nós tendemos a achar que o vemos hoje é fixo e eterno porque a brevidade da nossa passagem não nos permite ver essas mudanças.

Para ter uma ideia, os cientistas fizeram o Calendário Cósmico para computar toda a história do universo, desde a sua criação (digo criação pois sou criacionista) até o dia em que você está lendo este texto. Pense que o Big Bang ocorreu no primeiro de janeiro cósmico, exatamente à meia-noite e o tempo presente é às 23 h 59 min 59 s do dia 31 de Dezembro. Neste calendário, o sistema solar não é exibido até 09 de setembro, a vida na Terra vem a 30 desse mês, os dinossauros apareceram pela primeira vez em 25 de dezembro e as primeiras primatas em 30. Os mais primitivos Homo sapiens não chegaram até dez minutos antes da meia-noite do último dia do ano, e toda a história humana ocupa apenas os últimos 21 segundos. O que significa a minha vida de 30 anos, então?

Há um versículo na bíblia que diz que a vida é um sopro e a sensação é essa porque o passado parece um vendaval em campo aberto e as flores que você colhe são as recordações que consegue possuir. Quando, na verdade, tudo o que você já viveu são imensos blocos de recordações postos um sobre o outro no mesmo método em que se constrói uma casa. Uma casa é o que eu estou construindo. Essa foi a primeira boa constatação.

A segunda foi de que a corrida para chegar ao sucesso até os trinta anos não faz sentido porque a vida humana é mutável e instável como o planeta terra e todas as suas eras. Se a terra em 4.54 milhões de anos já mudou, se renovou e sofrerá outras mudanças ao longo de sua história, por que eu precisaria estar “resolvida” com apenas 30 anos? Não existe lógica, não existe previsão, não existe controle e é preciso se acostumar.

Penso que a vida é um livro que estou escrevendo, ou uma casa que estou construindo ou, ainda, uma árvore que estou cultivando. As três coisas não serão para mim, mas para o proveito dos outros porque eu vou morrer e tudo o que eu fizer vai ficar para outros e em outros. Então, o que estou escrevendo, construindo, cultivando? Agora eu sei, finalmente sei o que quero fazer e deixar e isso eu considero um sucesso, um marco. Será que isso significa que estou pronta pra próxima era?

A próxima era é materializar aquilo que eu decidir fazer. A forma ainda está meio confusa, mas devia ser confuso quando o clima da terra foi deixando de ser glacial. Logo, estou bem e ficarei bem.

Li em diversos lugares que essa mudança toda acontece na vida humana porque Saturno leva de 29 à 30 anos para completar a volta em torno do Sol e a pessoa completaria 1 ano de vida naquele planeta, então, tudo o que você fez antes foi preparar o caminho para o que você será a partir de agora. Pode ser nada disso, mas a sensação é bem essa: colher os frutos depois de anos preparando a terra. E, olha, a visão daqui é linda.

Ainda não sei como será a sensação com 30 anos completa, mas por enquanto está tudo bem.