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“Nós nos vemos no olhar do outro”, dizia Lacan. Logo, o desejo de produzir (escrever, neste caso) pode estar atrelado ao ímpeto de enxergar a si mesmo.

E se me permite o devaneio, Marx, ao falar sobre alienação, já nos alertava sobre os efeitos de uma sociedade que trabalha mas não se identifica com o que produz.

Se nosso trabalho não reflete o que somos — pois o capitalismo deixa pouca margem para o que não gera lucro, forçando-nos a nos adequar a uma demanda que, muitas vezes, nem se assemelha à nossa própria —, que parte de nós é realmente vista? Se deveríamos ser capazes de nos enxergar no olhar do outro, a qual parcela de nós mesmos estamos vendo quando produzimos e entregamos algo que não nos exprime?

Talvez o “querer escrever”, assim como qualquer outra manifestação artística, signifique “querer produzir algo autêntico com que eu me identifique”. Algo que me permita um vislumbre de quem realmente sou.