A cada 7 anos, as células do nosso corpo se renovam, segundo a antroposofia. Aos mais românticos, esse fenômeno impacta também em grandes mudanças além das físicas no ano em que acontece. Afinal, você é uma nova pessoa.

Ter 27 faz você conhecer de perto a palavra ressaca e todo o seu significado. 
Ao mesmo tempo, você já sabe até onde pode ir sem se arrepender depois (na maioria das vezes, pelo menos).

A gente passa a lembrar do rolê de 2 dias atrás com dores no corpo e pensando que tá velho pra algumas coisas. Mas aí passa e a gente faz de novo, só pra se convencer que é xovem ainda e que guenta o tranco.

Os boletos não param de chegar, mas você já conquistou algumas coisas e viveu momentos que o dinheiro pode sim comprar. Ainda tem muito lá fora, mas um passo de cada vez (ou um parcelamento de cada vez).

A gente fica mais seletivo quanto à lugares e pessoas. A equação qualidade > quantidade nunca se aplicou tão bem.

A frase “cada escolha é uma renúncia” aparece constantemente na sua cabeça e você começa a preferir “ser feliz a estar certo”.

É uma fase transitória entre os amigos que casaram/estão casando/pensado em ter filhos/mudar de país e o pessoal que está na vida loka, de bar em bar, de boca em boca. É um estágio em que, se você pudesse, seria um final de semana de rolê alternado com um de pernas pro ar e Netflix, pra repor as energias, afinal, você sabe que a segunda vai chegar e vai ser pesada.

Aliás, você repensa em trabalho e se pergunta por que a relação trabalho, dinheiro e qualidade de vida é tão inversamente proporcional. Cada escolha é uma renúncia, afinal. (Será?)

O dia precisava ter umas 36h, pra dar conta do trabalho, do trânsito, da família e amigos, da casa, de ficar atualizado, das notificações do Facebook e das mensagens de todos os grupos do WhatsApp (não desistam de mim, amigos!)

A gente aprende que a vida é um cubo mágico e você fica feliz de arrumar um lado, mas quando olha o outro, tá todo cagado. Faz parte. Um passo de cada vez. A gente vai arrumar até ficar aceitável e aprende a viver com isso.

Você se pergunta algumas vezes se chegou onde a pessoa de 10 anos atrás imaginava. E eu espero que a sua resposta seja a mesma que a minha: é claro que não.

A vida dá umas voltas que nem o melhor vidente pode prever.
A gente faz o que dá, se vira nos 30, muda, erra, aprende, recomeça, erra de novo, conquista pequenos espaços, internaliza palavras como “resiliência” e “flexibilidade”, conhece gente que marca, dá umas boas risadas. A gente vive.

Espero que os 28 tragam a renovação: das células, do corpo, da rotina, dos desejos, de tudo. Que tragam respostas pra tantas perguntas que a gente se faz diariamente. Que tragam a o resultado da soma dos esforços e novos sonhos.

Amém.

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