Curadoria de conteúdo livrando usuários do transporte público de São Paulo da desinformação

Moro em Guaianazes, extremo leste da capital paulista, e dependo de trens e metrô para me locomover em 99% dos casos. Eu e mais uma parcela imensa de moradores da zona leste, que não consegue trabalhar perto de casa.

Quem faz uso do transporte público diariamente conhece as péssimas condições e as falhas constantes do sistema, que ocorrem quase diariamente numa linha ou outra.

A minha relação duradoura com esses meios de transporte teve início em 2008 e a minha maior dificuldade sempre foi a de buscar informações a respeito do funcionamento das linhas, já que os canais oficiais não o fazem de maneira efetiva. Naquela época a internet móvel não era lá essas coisas, não tinha aplicativo para tudo e acessar um site pelo smartphone era quase uma morte lenta e dolorosa. Por isso, só descobria as “falhas de equipamento” quando já não havia para onde correr.

Hoje nós temos muito mais acesso às informações. Com o smartphone o tempo todo na palma da mão, consultar o site ou o app do Metrô ou da CPTM se torna tarefa fácil, mas muitas vezes acaba não servindo de nada e não nos ajuda a buscar meios alternativos de transporte para evitar o caos e possíveis atrasos. Tudo isso por uma questão muito simples: o sistema de sigilo dessas instituições é tanto que o usuário não consegue saber muito bem quando o serviço está funcionando como deveria ou não.

E falta de informação é algo que não orna com os tempos em que vivemos, em que as pessoas estão conectadas full time nas redes, produzindo, exigindo e recebendo conteúdos na mesma frequência.

Diante desse cenário caótico, lá em 2010 surgiu a página Diário da CPTM, que hoje conta com mais de 160 mil curtidas no Facebook e mais de 118 mil seguidores no Twitter, além do blog.

Através desses canais, a troca de informações acontece de maneira colaborativa entre os administradores da página e usuários do Metrô e da CPTM, que compartilham informações sobre a situação do transporte ferroviário em tempo real.

A página recebe os relatos dos passageiros, tenta checar essas informações com os canais oficiais e replica aos demais seguidores sobre a situação de cada linha que se encontra com problema.

Post da página Diário da CPTM no Facebook

No Twitter também há uma grande troca de informações entre usuários, inclusive com uma variedade maior de perfis. Cada linha tem uma timeline não-oficial, além do perfil Usuários Metrô SP, que recebe, também, reclamações sobre ocorrências diversas, como a situação do ar condicionado e a presença de ambulantes nos vagões. No Twitter, a cobrança de uma reposta pelos canais oficiais é mais pesada. Muitos dos relatos feitos pelos usuários são retuitados diretamente para os perfis oficiais do Metrô e da CPTM. Em algumas situações, as empresas se comprometem a verificar as ocorrências.

Interação entre usuária e o perfil Usuários Metrô SP no Twitter

Nos tempos de hoje fica claro que se você não está disposto a fornecer informações sobre o seu produto/serviço e a amparar o seu consumidor, alguém fará isso por você. Não é à toa que em uma cidade como São Paulo se valorize tanto os meios particulares de transporte, já que o coletivo, que não tem concorrentes, não atinge o seu potencial de qualidade.