Meio amor

365 dias no ano para evitar a ferida.

Lembro de dias os quais eu queria que o tempo fosse longo como aquele cabelo para enrolá-lo. Dias de espera e de encontro que se resumem a olhar as folhas caírem e fingir que o outono não é certo.

Fujo do papel reservado a amadores, mas sempre me vejo carregada para tentativas de consertar aquilo que me corrói. Agarro tempo como se a espera fosse amenizar um carma que tem a grandiosidade de uma vida. Dói não ser leviana e, na indecisão, pesar mais o outro do que a mim.

Contudo, não sei ser meio amor. Um possível egocentrismo não me permite aceitar o toque da alma apenas com o indicador. Quero ser imensa e demorar-me, senão, não vejo motivos para ficar. Outrora, quem sabe, poderei aceitar a existência do passado. Mas, hoje, não sei lidar com o 7 de junho: Quero que seja 8 de junho.

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