Devaneios de uma jovem fora do ninho

Topo do Mundo (MG). Foto: Stella Nardy

Certa vez uma pessoa me disse que adorava a minha companhia porque eu fazia com que ela se sentisse infinitamente jovem. Ela não se explicou muito, nem eu perguntei, mas fiquei feliz com o que ouvi.

Eu adoro ser jovem, e passar essa energia adiante é de encher o coração. O brilho nos olhos, as inúmeras vontades, possibilidades e descobertas. Por mim, eu seria jovem para sempre.

Como pode? Há cinco anos eu deixava a casa dos meus pais para vir fazer faculdade. Essa melancolia sempre me consome em algum momento. Há cinco anos era tudo novo e desconhecido. Quanta aventura, quantos horizontes, quantos mundos diferentes do meu. Que bom que tudo aconteceu assim, que bom que pelo caminho pude viver encontros maravilhosos.

A maturidade vem ainda que meio forçada. Foi preciso aprender os nomes das ruas para saber direito aonde ir; foi preciso aprender a lidar com saudade, com as tarefas de casa, com o meu orçamento e tudo mais. De repente, me vi sozinha em uma cidade de desconhecidos e aprendi a ser uma boa companhia para mim mesma. De tanto ser, quis levar isso aos outros tantos loucos e loucas que se juntaram a mim.

Um encontro foi melhor e mais importante que todos os outros, principalmente por ter sido natural e inevitável. Como eu me encontrei comigo mesma. E me perdi e pensei ter me encontrado e me perdi novamente. Me deparei com o medo e a euforia de quem acaba de sair do ninho.

Surpresas, novidades, incertezas e mudanças. Ah, as mudanças… partes essenciais do exercício diário que é construir e desconstruir nossa existência.

Eu cresci e me vi como mulher. Mulher querendo ser livre, mulher que sente medo, mulher que luta e mulher que protege outras mulheres. Perceber-se sozinha não é tarefa fácil, mas faz parte da nossa evolução. Hoje, agradeço cada oportunidade e o privilégio por poder ter saído de casa para cursar a graduação.

Mas acontece que o tempo voa, e muita coisa acontece.

Se a mesma pessoa que dizia se sentir jovem perto de mim me encontrasse hoje, alguns anos depois, com certeza notaria a diferença. O olho já não brilha tanto, os sonhos estão mais baixos, o peso nas costas mais pesado. Mundo cão. Cão não, porque eu adoro cachorrinhos. Mundo bife de fígado.

Vivo num embate ideológico eterno dentro de mim: a existência é pesada e o mundo não é nada justo versus eu sou apenas um pontinho no mundo e tenho muita vida pela frente para fazer dar certo. Mas bateu cansaço. Falta carinho e cuidado, falta gente se importando de verdade. Falta coisa pra caralho... e falta tem de sobra.

Exausta.

Eu só queria ter a certeza de que as coisas continuarão indo e vindo e que daqui a cinco anos o meu estar no mundo terá novos e diferentes sentidos.

Tenho pressa. Será que isso também vai mudar?

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Stella Nardy’s story.