Os desafios em transformar uma ideia em negócio

Stenio Diniz
Aug 31, 2018 · 4 min read

Em algum momento já tivemos uma ideia e sonhado que esta se tornaria um bom negócio. Seja em conversas de almoço de família ou em bares com amigos, e até mesmo nos momentos a sós, temos inspirações para resolver problemas. No ambiente de trabalho esses momentos podem vir nos cafezinho onde nossa criatividade aparece de forma forte, até porque não estamos absorvidos pressão em decisões do dia a dia, e assim temos uma avalanche de criatividade ou conseguimos focar no problema.

Após o momento de iluminação onde surge a ideia, ocorre então o primeiro desafio: manter viva. Assim que ela é compartilha recebemos várias opniões. As vezes vem com questionamentos que nos tira a vontade de continua. Também encontramos os apoios, que por muitas vezes é apenas moral. Nesse momento encaramos a primeira grande dificuldade que é ter apoio para avançar na construção de um negócio. Para resolver essa questão tem que busque um atalho para o sucesso e compram um bilhete de loteria.

Seja uma ideia que pode se tornar um novo produto ou serviço para você surfar no empreendedorismo, ou seja uma ideia para incrementar dentro de uma empresa, sendo você um intraempreendedor, a ideia precisa ser estruturada como um negócio. Planos estratégicos e de negócios já foram — e talvez infelizmente ainda — utilizados como as bússolas de avaliação de um novo negócio. Usamos e aprendemos muito com esse modelo. Criamos indicadores e gráficos. Colocamos quadros nas paredes. E evoluímos!

A onda das Startups trouxe uma aceleração ao surgimento ou evolução de novos negócios com uma velocidade bem acima do que vinha sendo praticada. Essa velocidade atropelou alguns instrumentos de gestão que tinham ciclos longos para o binômio decidir-agir. Essa agilidade foi instrumentalizada em novos modelos. Lean, Agile, BTGame, Business Model Generation, Canvas, Design Thinking, e todas suas variantes. Certamente não ficou fácil estruturar sua ideia. Sem contar com todas as tecnologias se tornaram mais acessíveis. Se antes só a turma do CPD — alguém sabe o que é? — ou também conhecidos como a turma do computador tinham acesso, hoje qualquer empresa tem acesso a tecnologias modernas de Analytics, Inteligência Artificial e Machine Learning.

Então como avançamos frente a esse hub de opções. Talvez o mais interessante nesse ponto é responder que … depende! Por mais que essa resposta não agrade ela é a mais objetiva. Uma ideia antes de se tornar um negócio ou uma melhoria tem dependências que influenciam no seu resultado. Essas influências vem tanto do ambiente externo, com o mercado e suas demandas e concorrências, quanto do interno com as competências, conflitos e disputa de poder. Em ambos um fator que é coincidente é a cultura. No extremo ela pode agrupar diversos elementos que vão exigir esforço para que seu produto tenha aceitação e uso. Já no ambiente interno a partir da evolução da ideia para um negócio, a cada passo a medida que o empreendedor forma uma equipe, o negócio começa a formar a sua cultura. O cuidado ao entender a força das diferentes culturas que formam o ecossistema tanto interno quanto externo pode ser decisivo para o sucesso do negócio.

Na evolução da forma como a cultura interna é vista nas empresas tivemos evoluções marcantes. Mesmo tendo como característica a diversidade, uma vez que diversas pessoas trabalham nos ambientes, houve sempre a tentativa de formar a cultura organizacional com lemas de produtividade e retorno a empresa, como por exemplo o grande lema de “Vestir a Camisa”. Reforçar esse comportamento tinha como objetivo alinhar as pessoas, e suas culturas, em torno do grande objetivo de fazer a empresa ter sucesso, mesmo que quando você tirasse a camisa ao final do turno o indivíduo deixasse para trás toda a imagem que a empresa forjava em seu modo de pensar e viver. O lema da camisa evoluiu com avanços de alguns modelos empresariais que passaram a alinhar a cultura das pessoas em torno do lema da produtividade. Algo do tipo que a organização ajuda você a ser produtivo, oferecendo suporte tanto no campo profissional quanto pessoal, e assim a cultura da empresa estará alinhada quanto à maior respostas ao mercado, mesmo que você diminua o tempo para cuidar de você enquanto indivíduo. Com o crescente número de Startups, mesmo que nem todas tragam avanços ao lidar com a cultura interna, temos nova tentativa de alinhamento, agora em torno do propósito, ou seja, se você vê razão para atuar junto àquela empresa. Essas mudanças não ocorrem um um momento certo da linha do tempo. A mudança cultural é sempre um processo de idas e vindas na forma como tratamos os elementos que a molda.

Será então que tornar uma ideia é um negócio é uma árdua tarefa de lidar com todos esses instrumentos ao mesmo tempo? Depende. Mesmo você estando ou não com domínio de todos esses elementos temos em comum a evolução do Criar-Experimentar-Aprender-Ajustar. Para os mais novos talvez soe como algo retrô, mas muito já se falou do PDCA — Plan, Do, Check, Act — e talvez mais tenha sido falado em PowerPoint do que efetivamente posto em prática. Mas o fato é que esse ciclo é virtuoso, e hoje talvez com outros nomes, traga às ideias um bom exercício de validação rápida em todas as etapas da transformação. Essas transformações vêm ganhando nomes de Gestão 3.0, 4.0 ou outros que já estejam surgindo e nem vimos ainda. Essas transformações formalizam o caminho da mudança.

Então, se a ideia mostrou que pode ser um negócio, agora é só crescer exponencialmente. Mas como? Aí é outra história, pois com certeza tudo pode mudar, então… Depende!

Stenio Diniz

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Vivo onde gosto, faço o que gosto.