(D) existir

Eu particularmente não desisto de quase nada
Se eu desisto é porque doeu
Se eu existo é porque doeu demais.
Eu queria, sabe
Eu até queria ter medo de me dar, mais cautela
Mas nas minhas mais sinceras palavras
Eu não tenho medo.
Eu escancaro todas as portas
porque me tornam obssessiva as frestas.
Eu te amo porque te amo
mesmo que a gente não pareasse
mas a gente parêa.
A minha vênus, os meus sóis, todas as constelações
disseram “sim” no dia em que te olhei.
A paixão tinha cor
Textura
Jeito de abraçar
Tinha esses olhos que viriam me matar.
Se eu desisto é porque doeu
Passou a epiderme
Furou e comeu toda a minha carne.
Não. Não se engane
Eu não preciso de você
Eu ainda sou muitas coisas longe de ti
Mas é que aqui
O sol chega mais perto nos domingos.
Eu sei… “você é louco”
Eu sei… que tudo isso é errado
Mas eu continuo na porta
com ela escancarada
porque as frestas me tornam obssessiva.
Eu sei que você entra e sai pela janela.
O sentimento. Ah, ele eu não oculto não!
Parece que esse danado é inimigo do tempo
Eu não arranco tudo isso do meu coração
E jogo numa gaveta. E fecho. NÃO.
Eu não aprisiono o sentimento.
Eu projeto uma casinha de campo
para que ele possa descansar
para que ele possa pensar no que fazer.
Será que ele quer ser grande? Ou um pequeno e singelo amor de segunda feira?
Que segura a barra de um dia difícil.
Eu não desisto de ninguém não
Muito menos de mim.
Eu me amo porque me amo.
Eu sou uma pessoa que particularmente não desiste de quase nada.
Se eu desisti…
É porque doeu na gente
E mesmo assim. va lá. Eu não desisti verdadeiramente
Eu não quero desistir
Eu quero existir
E amar? É um verbo no presente.