Andava apressada e meus pés quase tocavam o chão sujo, mesmo assim achava melhor estar descalça, preferia sentir a liberdade sob meus pés. As pessoas passavam por mim como vultos, eram muitas, e eu me sentia mais sozinha do que nunca. A mochila pesada me fazia andar cambaleando para os lados e meu cabelo desarrumado retratava o quão estafante havia sido o meu dia.

Tentava me lembrar das palavras ditas naquela tarde e só de lembrar meu coração acelerava de novo. Sentia minha cabeça conflitar com ela mesma e meu coração apertar junto com uma sensação que mais parecia um sopro gelado no estômago. Pedi ajuda a Deus mesmo sem saber direito o porquê. Pensei que talvez fosse a hora de parar de exigir das pessoas. Talvez fosse a hora de tentar mudar a mim mesma, como dizia o horóscopo na estação do metrô. (Mas o que isso significa?) Talvez fosse a hora de esquecer tudo o que passou e andar em frente. Talvez fosse a hora de encerrar um ciclo, começar um novo. Talvez, talvez… Palavra frequente no meu vocabulário que combina bastante com o que vivo agora onde tudo é dúvida, nada é certeza, tudo é instável e abstrato, inclusive eu mesma.