Como o tarô reforça papéis de gênero — é, você leu certo
Deixa de Banca
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Oi! Estudo tarô há anos e passei pelo incômodo que você menciona, antes de estudar mais sobre o feminismo. Antes de tudo, acho que é importante contextualizar que as ideias de masculino como “ativo/aventureiro” e feminino como “passivo/introspectivo” são datadas e reproduzidas nas interpretações de baralhos mais antigos, como o Raider White.

No entanto, quando você começa a ler autoras sobre tarô, as percepções e insights de outras mulheres são mais próximas da visão Junguiana, de que todos temos elementos masculinos e femininos em nós, manifestados na Anima e no Animus. Desta forma, um Rei ou Cavaleiro podem representar aspectos da personalidade de uma mulher que não são exclusivos de um gênero.

No Tarô Mitológico, as autoras reforçam que uma Rainha, um Rei, um Cavaleiro ou um Pagem podem representar pessoas com determinadas características, mas não necessariamente um homem ou uma mulher, de acordo com a figura da carta. O livro Jung e o tarô, da Salie Nichols, faz uma relação entre as cartas e a teoria dos arquétipos e tem apresentações bem ricas e detalhadas dos 22 arcanos, falando da simbologia antiga e traçando paralelos com a psicanálise. Traz reflexões bem interessantes.

Tem uma autora chamada Teresa Michelsen que tem um guia de leitura intuitiva que recomenda refletir sobre todas as referências às quais podemos nos apoiar numa leitura: representações de gênero, figuras de animais, cores claras e escuras associadas a significados positivos/negativos, números. Ela propõe desconstruir essas associações, estudar diferentes baralhos e construir um relacionamento com as cartas sabendo no que a gente se apega como um caminho fácil (achar que o Diabo e a Morte representam sofrimento, que a Torre é uma mudança dura e difícil).

Outra coisa legal na abordagem de autoras sobre o tarô é que elas abordam a fragilidade do que é considerado “louvável” nos homens em imagens como O enforcado, A Torre, o Rei de Copas. Você citou o tarô da Barbara Walker, mas embora o baralho dela tenha algumas referências clássicas, ela tem um dicionários de mitos femininos muito bom, infelizmente só em inglês.

Muito boas as suas reflexões e espero que trocando ideias por aqui você encontre referências e caminhos pra combater essas representações superficiais.

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