Ibirapuera, a fonte que nos nutre!

Reflexões acerca de fragmentos poéticos de Paulo Herkenhoff inspirado no projeto Umapaz “Olhares em construção”.

Cristina Stevanin
Jul 20, 2017 · 5 min read
Foto de Cristina Stevanin (Parque Ibirapuera).

“… deixar rastros de sombra”. Paulo Herkenho

Ah! Se pudéssemos mapear os rastros de sombras refletidas no lago do Ibirapuera certamente ampliaríamos nosso olhar aos cuidados com a natureza que nos nutre. Em agitada metrópole paulistana, a sombra de uma árvore é raríssimo tesouro encontrado, entretanto na correria frenética do dia a dia se quer mapeamos nossos batimentos cardíacos, logo nos imaginarmos imersos ou em contemplação com o verde seriamos rotulados de alienados diriam alguns.

Em pleno avanço tecnológico nossos rastros de sombras são deixados por imagens rotineiras de pessoas imersas em suas telas vibrantes ao som de mais uma mensagem online.

Foto de Cristina Stevanin (Piquenique no Parque Ibirapuera).

Que rastros deixamos para nossas crianças?

Pequeninos e pequeninas imersos em vídeos e games na contramão do contato com o meio ambiente que nos nutre.

Evidente que não seja prudente generalizar, afinal muitos se permitem o contato com o meio ambiente, caminham, correm e proporcionam momentos agradáveis junto as crianças.

Embora estes momentos sejam relativamente curtos em comparação as horas que desfrutamos de arquiteturas imersos em seus ambientes internos.

O projeto “Olhares em construção” da Umapaz (Universidade Livre do Meio Ambiente e Cultura de Paz), localizada dentro do Parque Ibirapuera nos convidam a uma outra imersão. A começar com o aprendizado de que o meio ambiente esta dentro de nós. Desta forma desconectarmos da natureza é nos afastarmos de quem somos.

Foto de Cristina Stevanin (Parque Ibirapuera).

“… contaminar purezas”. Paulo Herkenho

Nosso pouco contato com o meio ambiente no propósito de ampliar o olhar e a percepção com o belo não nos permitem grandes elogios, diariamente o lixo pode ser observado entre a vegetação e lago do Ibirapuera.

Além de nos afastarmos de nós mesmos, permitimos o livre acesso de materiais industrializados, recicláveis ou orgânicos a contaminar o solo, a água e os animais. Incontáveis são as toneladas de lixo removidas semanalmente no Ibirapuera.

A pureza e o respeito a natureza são deixados para segundo plano em detrimento ao bem estar passageiro em visitas esporádicas junto ao Ibirapuera. Os resultados são rastros sombrios da falta de cuidado conosco, pois o meio ambiente habita em nós! Reiteramos que não são todos a se nivelarem nesta problemática, entretanto um olhar indiferente a situação pode nos tornar corresponsáveis.

Foto de Cristina Stevanin (Parque Ibirapuera Acervo Umapaz).

“… contrair o progresso da arte”. Paulo Herkenho

Conforme consulta ao acervo, Espaço Sapucaia, biblioteca da Umapaz, o Projeto Fonte Luminosa do Ibirapuera aprovado conforme diário oficial em 11 de maio de 1988 objetivou oxigenar a água e embelezar o lago.

Esta obra de arte belíssima sob o lago do Ibirapuera é marco histórico em São Palo e polo cultural principalmente no período do Natal.

Atualmente conhecida como Fonte Multimídia inaugurada em 2004, ilumina as noites paulistanas com suas famosas danças das águas.

Contrair o progresso das artes no Ibirapuera não torna-se a melhor alternativa, porém é preciso uma análise mais profunda quando se ocupa um território, sobretudo se este é natural.

Sejam as danças das águas na fonte, os shows no auditório, as danças circulares ou as esculturas ícones no Ibirapuera, toda forma de manifestação artística situada junto a natureza nos requer sempre um olhar cuidadoso.

Lancemos nossos olhares e observemos, o objetivo do projeto inicial da fonte foi embelezar o lago, mas também oxigenar a água.

Foto de Cristina Stevanin (Parque Ibirapuera).

“… gemer a poética”. Paulo Herkenho

Analisemos a imagem ao lado, são orientações aos cidadãos frequentadores do Ibirapuera localizada na entrada do Portão 9 do parque.

Ultrapassamos nossos próprios limites e desejamos fazer o mesmo processo com a natureza que nos nutre.

O desrespeito ao próximo e ao meio ambiente que nos nutre são tamanhos que fariam qualquer poeta estremecer sua escrita e fazer gemer a poética.

Alguns diriam, a escrita contemporânea jamais faria gemer suas composições, pois estas seriam o retrato de nossa sociedade.

Concordemos! Entretanto, não aceitemos esta realidade por muito tempo.

Foto de Cristina Stevanin (Parque Ibirapuera).

“… acordar as latências óticas”. Paulo Herkenho

O mirante no Ibirapuera nos convida a construção de outros olhares, não deixemos que a realidade perpetua a marcar rastros sombrios das desconexões que nos aprisionarem a falta de amor próprio, ao próximo e a natureza sejam um legado.

Conhecerás a história e a história vos libertará.

Segundo a obra ´Parque Ibirapuera´ pesquisa e texto de Marly Rodrigues, acervo da biblioteca Umapaz “Os guaranis, índios que habitavam a área, a chamavam de YBYRÁ-PÛER-A ´Árvore caída´denominação indígena caracterizava aquelas terras de várzea, cortadas de córregos e constantemente úmidas no século XVII”.

Alertemo-nos! Terra de várzea, a cidade de São Paulo gradativamente recebeu flores e frutos, preservar nossa história é fonte que nos nutre.

“A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado”. Terra, Nosso lar. Fragmento da Carta da Terra

Ampliemos nossos olhares, o Ibirapuera é uma das fontes que nos nutre em beleza por meio de suas águas dançantes mas também oxigena nossas vidas em meio a arquitetura de seu entorno.

A Carta da Terra nos faz gemer a poética e convida a todos para um cuidado mútuo com o meio ambiente que habita em nós!

“… contaminar purezas, contrair o progresso da arte, gemer a poética, deixar rastros de sombra, acordar as latências óticas”. Fragmentos poéticos de Paulo Herkenho

Qual foi a última vez que apreciou a natureza e permitiu-se conexão?

Acordemo-nos, urgentemente!

Muita paz.

Por Cristina Stevanin

Aprendiz no projeto Umapaz “Olhares em construção” .

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