Ca-ro-li-ne. A língua aguarda imóvel pela primeira sílaba, se preparando para três voltas no céu da boca, para finalizar inerte, no mesmo lugar onde começou. Pela manhã ela é Ca, e não mais do que Ca. Na faculdade Carol, com seus 1,66 de altura correndo de uma sala a outra com um apanhado de livros na mão. Pela noite era Caroline, minha Caroline. Ca, Carol e Caroline. Três vertentes irremediáveis de um sentir sem pausas.
Caroline, com a qual compartilho noites a fio, ignorando os ponteiros do relógio. Caroline no primeiro bom dia, caroline no último segundo da noite. Se houvesse motivo para se estender as horas do dia, certamente me estenderia para o seu lado. E se pudesse me apaixonar por algo em você, certamente seria pela música que é a tua voz.
Caroline mulher de lua, da rua, da tua. Mulher de fases, de passes, de base. Mulher de frases, catarses, mulher na ponta do lápis. Caroline é mulher inteira. Nos braços? Certeira. Caroline não dorme no ponto, se adianta, no conto. Ela brinca com as palavras da forma que meus dedos gostariam de brincar em seus cabelos.
Caroline que me invade o peito, se escuta esse lamento. Que seus sussurros me acertem em cheio. Que tua voz me soe inteiro. E que nossas línguas se encontrem, finalmente, com êxito.