Não grite quando o fim se aproximar

Tenho um céu negro 
No céu da minha boca 
Tenho estrelas mortas 
Em minha mente
Minha alma é uma gaiola 
Vazia 
Meu peito 
É uma floresta queimada
Que sobrou nada 
Nada
Mas 
Nas noites escuras 
Ainda tenho 
Suas lembranças 
Para me aquecer
E lembrar 
O quão quente
O verão 
Pode ser 
Como seu olhar 
Faz tudo 
Parecer certo 
Como sua voz 
Faz as vozes da minha mente
Doente 
Ficarem quietas 
Como seu toque
Me faz 
Sentir 
Único 
Como cada eu te amo 
Entra na carne 
E se finca 
E me aquece 
Tudo faz sentido 
Nesses momentos 
Como um 
Quebra-cabeça 
Se montando 
Mas agora 
Nada 
Se encaixa 
Parece que
Estou na rua 
O frio queima minha pele
O vento machuca 
Parece que 
Estou em carne viva 
Parece que 
Desaprendi a andar sozinho 
E o pior 
É que não queria
Aprender 
De novo

Gustavo Cassiano Franqueira