Noite XVII

Eu posso tentar explicar

Mas nunca vou conseguir

Do tanto que sinto

Queria entender

Como cuidar do meu jardim

Se todas as rosas ou morrem

Ou irão morrer

Que me cortam e machucam

Que perfuram o que costumava ser

Se sou o que sou hoje

É culpa de ninguém

Se sou sozinho a culpa é minha

Se sou o pior a culpa é minha

A vida é minha afinal

Eu que tomei esse rumo

Eu poderia até tentar me enganar

Mas você nunca vai gostar de mim

Ninguém gosta

Não por muito tempo

Mas as vezes eu sonho

Raramente sonho com você

Hoje você apareceu nele

Usava um chapéu bonito

Seu sorriso era tão lindo

Quando acordei amaldiçoei o mundo

Queria ficar preso naquele mundo para sempre

Aqui nesse estou praticamente morto

E ninguém aparecia no velório

Os livros na escrivaninha não dizem nada

Não importa o quanto escreva

Nada muda o que sou, o mundo, as pessoas

O mundo é tão grande

E tenho tanto medo em mim

Encoberto de medo como um soldado

Coberto de sangue

O pior, cruel, filho da puta

Eu deveria ter morrido sozinho há um bom tempo

Vai saber eu já estou

Tanto faz

Desculpa

Eu realmente queria ser melhor