Noite XVIII

Se o mundo lá fora

Fosse o mesmo daqui de dentro

Como seria?

Não sei, não me conheço

Só sei do que me arrependo

Meus acertos são poucos

Sou burro, muito burro

Todos são inteligentes

Tão cheio de razões

E eu só queria fazer sentido

Queria me entender

Nunca me entendi

Uma guerra constante

Atormentado

Sonhei em ser o melhor

Mas sou nem o pior

Sou nada

Menos que zero

Encostado no vidro olhando crianças brincando

Com saudade do passado

Com medo do futuro

Do que posso e vou perder

Síndrome de Pânico

Não sou especial

Não sou imortal

Não sou melhor nem o pior

Só mais um

Complexo de grandeza

A chuva vai limpar as coisas ruins não vai

Me ensine a ter fé

Tudo acaba, elegia, tudo pro agora

Tudo é calmo e barulhento

Silêncio que fala

Vida até deve ter um sentido, mas não consigo encontrar

Espero que algum dia todo faça sentido

Gustavo C Franqueira