Noite XXIV

Eu tenho uma amiga 
Conheço ela faz uns cinco anos 
Mais ou menos 
Mais pra mais acho 
Sei lá foda-se
Ela nem deve se lembrar disso 
Mas uma das primeiras conversas 
Que tivemos 
Foi ela falando um breve "Gu me fode
Preciso urgentemente transar" 
Ou algo assim, hoje em dia soa assim 
Na minha cabeça 
Na hora, até hoje em dia não sei, 
Não sabia como reagir 
Hoje em dia talvez responderia 
"Você bem sabe 
Que meu cabelo cresce pra cima 
E não pra baixo
Então pra que esse convite"
(Piada pessoal que só ela vai entender
Desculpa aí) 
Eu a amo mais do que amo muita coisa 
Ela não é minha irmã 
Eu não sou o amigo homossexual dela 
Somos algo no meio termo disso 
Adoro ela, a admiro 
Se ela tivesse nascido nos anos 70
Nos EUA ou na Inglaterra 
Teria todos os músicos cabeludos 
Ajoelhados aos pés
E se orgulharia disso 
Mas nasceu na época errada 
No lugar errado 
Poderia ser a musa de algum conto 
Extremamente sujo do Bukowski
Mas nunca teve essa chance
Ela é completamente maluca 
O que tem de bonita tem de louca 
E o que tem de bonita 
É o que eu tenho de amor 
E cuidado 
Sempre, sempre, sempre, vou ama-lá 
Ela é a maluca mais centrada e livre 
Que já conheci 
O jeito cuidadoso, zeloso 
Louco 
Sempre acho que ela quer 
Que eu escreva sobre ela 
Mas não sou o velho Buk 
Não sou grande em nada 
Nem sei se vou ser algo 
Mas pelo menos 
Por enquanto 
Esse poema é seu
Só seu 
Desculpa por ser um merda 
Que só faz merda 
Suas pernas realmente tão belas 
Nessa foto 
Com amor 
(pare com esse papo de morrer cedo)

Gustavo C Franqueira