você consegue respirar se taparem a sua boca?

eu me apoio no seu ombro e você segura a minha mão como se fosse a sua.
eu sou verso, você é rima 
mas nós nos embalamos juntas e dançamos juntas uma porção de vezes.
minha cabeça dói e eu não consigo respirar,
taparam a minha boca com a bagunça das minhas próprias palavras.
vestindo calça jeans e sutiã, caminhava a passos pesados e cada passo que ela dava, ela pressionava ainda mais a mão sobre a minha boca, 
a pontada na minha cabeça…

I R R E S P I R A Ç Ã O

vamos trocar de lugar?
eu tapo a sua boca e você finge que não respira só pra ver como a gente se sente. talvez assim, dê pra gente responder as nossas dúvidas todas, quem sabe se ao entrar dentro do outro a gente não aprende a jogar junto.

se apoia nas minhas costas!
mas e se eu cair?
e eu caio
(quedas)
cai à dor
deixa cair a casa
a solidão
as marcas todas

quando a gente não fala nada a gente quer dizer alguma coisa?

tem um silêncio morando naquele lugar que eu costumava habitar,
tem um silêncio morando na palma da sua mão que tapa a minha boca, 
tem silêncio ocupando todos os lugares pelos quais o ar podia circular.
tem uma janela também, mas se eu atravessar, ela vai me conduzir pra algum lugar?!

eu devia me jogar da janela, sentir o vento atravessar meu corpo por alguns segundos e depois cair na imensidão branca, infinita e desconhecida, talvez nem doa… o bom é que da pra gente colocar a cor que a gente quiser pro que vier depois da janela, se é que vem alguma coisa.

tá escuro aqui né?
o escuro parece tão cheio (______________________________)
eu parei no meio dessa frase porque não sabia o que dizer e sentia sono..
tudo se movia tão depressa
tudo pulsava tão intensamente e se lançava no mundo sem medo de acertar a cara de alguém e eu ali, parada no meio de caminho.

você consegue respirar se taparem a sua boca? 
 
INAÇÃO

eu ali parada sem respirar e seus corpos suando, pulsavam, seus movimentos se lançavam no espaço vazio a nossa volta e preenchiam todos os buracos daquela sala.

A SALA PULSAVA

eu podia sentir a vibração quando encostava o corpo no chão. 
todos esses corpos em desequilíbrio, dispostos a se jogar na frente de um abismo,

mas eu não me jogava,

eu não podia me jogar,

eu já estava nele.

o abismo era eu
(…)

(2015)