Cotidiano

(em forma de canção)

Da euforia à distopia
Quantas cidades cabem numa canção? 
Sob estruturas inanimadas

Vidas desprezadas pela sensação

De que lá fora, desde a aurora

Todos caminhos parecem iguais

Que cada sorriso, cada vez mais raro

Esconde a busca por um pouco de paz


Mas o sol já queima o rosto

Num esforço de ficar acordado


Cada janela , vista da rua

É uma tela com seu próprio enredo

Em cada pedaço , de vida visto

Cortinas insistem em conter segredos

Os carros que passam, ônibus lotados

A cidade que pulsa sono e suor

A passagem é fechada, vida esparramada

A pintura no asfalto, anuncia o pior


O dia segue a rotina trágica

Sob os sons das buzinas

A força pra suportar até

Até a hora que o dia termina


A cidade desacelera

A noite traz o alívio

Mais um dia de trabalho

Menos um dia vivo

A cidade cobra seu preço

Tal qual um velho vampiro

A gente continua a lutar

Até o derradeiro suspiro

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