Crepúsculo

Você é jovem

Você quer mudar o mundo

Mas o tempo dá rasteiras

As conta formam pilhas

Tem as burocracias

Os cartórios

Escritórios e cubículos

Condicionares de um ar fétido

Você já não faz exercícios

Já não respira direito

A saúde já foi pro saco

E você corre com a vida

Enlatado num carro

De um ponto a outro

Sem olhar pro lado

Mas você ainda quer mudar o mundo

A rotina te fode

E você tenta rescrever o trajeto

A blitz te pára e você esqueceu os documentos

A cabeça tá pilhada

O corpo em frangalhos

Mas ainda é Terça-feira

O mundo vai mudando

E não é por sua causa

Você também vai mudando

Prometendo desacelerar

Ficar menos doente

Dura dois dias

Ainda é quinta,

mas parece que ainda é janeiro

Gostos iguais, sons iguais

Sonhos eram iguais

Mas nem existem mais

Dormir virou luxo

Telefone, emails, mensagens

Tudo é trabalho

Os amigos nem convidam mais

“O cara tá ocupado”, acertam

Mas a vontade de mudar o mundo tá lá

Soterrada entre paixões esquecidas

Entre respostas mal-criadas

Entre escombros de uma mal-guardada raiva

A raiva de um tempo que matou o sujeito

A raiva do próprio sujeito que se matou com o tempo

A raiva de ser humano limitado

A raiva de ser incapaz de mudar

O mundo e a si mesmo

Ainda que tudo continue mudando

Até o crepúsculo chegar

Até ser tarde demais

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