Jack of all trades

(we’ll be alright)

https://youtu.be/OtGb5MPCMlg

Se, por muitas vezes, quase fugimos do enredo de nossa própria vida, em outras, somos lembrados que ainda há um caminho a ser percorrido e esse caminho é de cada um de nós.

Alheio ao mundo ao redor e até mesmo aos pensamentos que habitam a cabeça perdida de dias corridos, vinha eu andando por uma trilha curta, nada mais do que 5 minutos. Fones no ouvido, cabeça baixa, estacionamento longo.

Foi durante o trajeto, naqueles 5 minutos, que uma música começou a tocar nos fones. Uma música que, em princípio, soou como uma trilha sonora perfeitamente encaixada na cena.

Por alguns segundos, eu era dono de minha própria narrativa. Personagem principal de um enredo que não parecia ter sido trabalhado com primor, mas que estava ali, aos ranços e barrancos. Contudo, aquele sentimentos se dissipou, dando lugar a outros.

O próximo pensamento que surgiu girava em torno da própria solidão do ato. Do caminhar de cabeça baixa. Da proteção engendrada por fones de ouvido suprauriculares. Somos solitários e de alguma forma, aquela música dizia isso.

Chegando perto de meu destino, a última coisa que passou pela minha cabeça, enquanto a música sumia em fade out, era o quanto Bruce Springsteen é competente em construir narrativas sobre sujeitos comuns, embalando momentos comuns, como aquele, em que eu e The Boss abraçamos a busca de sermos maiores, pelo menos para os que estão ao nosso lado.