Memória em chamas
Sep 3, 2018 · 1 min read
Busquei no chuveiro a água mais quente
Algo que me parecesse um afago
Lá fora subiam labaredas ardentes
Inestimável o tamango do estrago
Lembranças de quando construía a vida
Na convicção do que acreditava
Hoje a imagem ficou cravada na retina
Sabendo que nada mais restava
Talvez um dia
levantem paredes vazias
Mas a memória não estará lá
É certo o vazio
Que filhas e filhos
Terão que aprender a lidar
São os velhos partindo duas vezes
É só passado morrendo de novo
Uma sociedade esquecendo o que é
Sem conseguir construir o novo
máscaras queimando ao som da noite
Na melancolia já tão habitual
Somos nós esquecendo a mão do açoite
Relembrando o nosso destino afinal

